Ambulâncias do SAMU-RJ driblam obstáculos no trânsito para atender chamados

Mesmo com sirenes, luzes estroboscópicas e giroflex ligados, muitos motoristas não dão prioridades aos veículos de emergência e colocam vida de pessoas em risco
Muitos motoristas não dão prioridades aos veículos de emergência e colocam vida de pessoas em risco

As equipes do SAMU da Capital enfrentam diariamente desafios de atenderem o mais rápido possível, chamados urgentes que chegam pela Central 192. Qualquer segundo perdido no trajeto coloca em risco a vida do paciente. A dificuldade aumenta mesmo quando as ambulâncias estão com sirenes, luzes estroboscópicas e giroflex ligados e muitos motoristas não dão prioridades nem passagem aos veículos de emergência nas ruas e cruzamentos.

“A nossa meta é chegar ao local da ocorrência no menor tempo possível. Atitudes que dificultam a passagem das ambulâncias geram atrasos evitáveis que podem ser fatais”, afirma a coordenadora-geral do SAMU–RJ, coronel Bárbara Alcantara.

O supervisor de frotas e instrutor do Núcleo de Educação Permanente (NEP) da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), Luiz Alberto Guimarães, ressalta que enfrentar obstáculos no trânsito aumenta a preocupação da equipe, que está sempre mobilizada para chegar o quanto antes ao local.

“Todo nosso atendimento é de emergência. O ideal é termos o menor tempo de resposta para chegar ao socorro de uma vítima de acidente”, explica Guimarães.

Entre as várias situações que já vivenciou, Luiz Alberto Guimarães lembra que foi acionado para um chamado de paciente em parada cardíaca. Ele relata que teve dificuldades de chegar ao local. Um motorista insistia em não dar passagem, por não considerar a gravidade do caso, mesmo com os dispositivos de alerta da ambulância acionados. Após deixar a vítima no hospital, ele se deparou com o motorista que atrapalhou o trajeto. O paciente atendido pelo SAMU era filho do próprio motorista.

Pontos críticos da cidade

Guimarães enumera os pontos mais críticos, onde as ambulâncias encontram grandes dificuldades. Segundo ele, na Zona Sudoeste, os bairros de Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Itanhangá e Muzema são os campeões de obstruções. Na Zona Sul, ele diz que praticamente todos os bairros têm problemas, principalmente em regiões onde há muitas escolas, tornando os horários de entrada e saída de alunos momentos de transtornos para os socorristas. No Centro, os trechos da Leopoldina, Candelária e Avenida Rio Branco, na hora do rush, são os destaques negativos. E na Zona Norte, em dias de jogos e eventos nos estádios do Maracanã e do Engenhão, a situação complica.

O instrutor do NEP explica que as sirenes são facilitadores para reduzir o tempo de atendimento e servem para alertar para abrir caminho no trânsito. Ele orienta que ao ouvirem o som das sirenes, os motoristas precisam ter consciência e dar passagem.

“Ao abrir caminho, também estarão contribuindo para salvar a vida transportada na ambulância. Quem está ao volante divide a responsabilidade com a equipe médica da ambulância”, comentou.

O instrutor atribui o comportamento da maioria dos motoristas, entre outros aspectos, à falta de conhecimento em relação aos significados dos toques e tipos de sirenes dos veículos de emergência.

Tipos de sirenes

WAIL – Mais utilizada na estrada com menos trânsito, tem um alcance mais longo e sinaliza que uma viatura está chegando.

YELP – para trânsitos intensos, nas cidades, alcance menor.

PIERCE – trânsito parado, frequência mais rápida.

FADÓ – também utilizada pelos bombeiros, para passar em cruzamentos e sinais.

Significado dos toques

Um toque: indica que a ambulância está a caminho de uma emergência.

Dois toques: indica que a ambulância está se aproximando de uma intersecção ou cruzamento.

Três toques: indica que a ambulância está em situação de emergência crítica.

Bases do SAMU-RJ

SAMU-RJ tem 40 bases na capital do estado. O serviço, administrado pelo Governo do Estado, funciona 24 horas com 151 ambulâncias, sendo 106 veículos destinados ao atendimento diário e 45 ao Transporte Inter-Hospitalar (TIH) — serviço de remoção de pacientes entre unidades de saúde para fins diagnósticos, terapêuticos ou de alta e 30 motolâncias, acionadas para reduzir tempo de resposta de atendimento.

Ligações recebidas

Em 2025, as equipes de socorro, que atuam na cidade do Rio, registraram um total de 620.797 ligações para atendimentos. Em 2024, foram 676.476 ligações recebidas. Já em 2023, foram 673.349 ligações.

Bairros com mais envios de ambulâncias do SAMU

2024

Campo Grande: 13.730

Santa Cruz: 8.185

Centro: 6.550

Bangu: 6.393

Jacarepaguá: 6.130

2025

Campo Grande: 14.397

Santa Cruz: 8.486

Centro: 6.403

Bangu: 6.401

Jacarepaguá: 5.907

 

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Link de sonora: https://drive.google.com/drive/folders/1PCbBQFGUTXfcLiSzoNoxeVDGpZ7x-Qfz