Conass participa do lançamento da iniciativa Unidades Amigas das Adolescências


Brasília
– O secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, participou nesta sexta-feira (24), do lançamento da iniciativa Unidades Amigas das Adolescências (UAA).
A estratégia, fruto de uma articulação entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com o Ministério da Saúde e gestores municipais e estaduais, apoia a qualificação de unidades de saúde para oferecer um cuidado mais acolhedor, inclusivo, resolutivo e baseado em evidências para adolescentes de 10 a 19 anos.

Participaram do lançamento, a chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Luciana Phebo, representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, os secretários municipais de saúde e adolescentes das três capitais em que a iniciativa será implementada: Rio de Janeiro, Recife e Manaus.

Jurandi Frutuoso reforçou que o sucesso do atendimento primário depende da capacidade de a Unidade Básica de Saúde (UBS) se tornar um território de confiança para os jovens. “A porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser redesenhada para que o adolescente não se sinta um estranho no ninho”, disse. Para ele, o trabalho de acolhimento começa antes mesmo de o jovem entrar na unidade, através da articulação com o território. “Precisamos mapear rotas seguras e facilitar o acesso, garantindo que a articulação com o território e a informação sejam claras”, destacou Frutuoso.

Ele defendeu que a UBS deve extrapolar seus muros, criando conexões diretas com o ambiente escolar. Para o gestor, o fluxo de atendimento deve ser pensado para não intimidar: “É fundamental levar as ações da UBS para dentro dos territórios escolares, criando pontes reais entre saúde e educação”, afirmou, ressaltando que a participação dos jovens na construção desses espaços é o que garante a sustentabilidade das ações.

Frutuoso se comprometeu a levar o tema à Assembleia do Conass e observou que os gestores estaduais podem contribuir em três frentes concretas: capacitação a partir da qualificação das unidades para um cuidado mais acolhedor, inclusivo, resolutivo e baseado em evidências; monitoramento, apoiando a construção de uma linguagem comum de acompanhamento para que os estados ajudem os municípios a monitorar acesso, vínculo, satisfação dos adolescentes, privacidade, continuidade do cuidado; e gestão onde as secretarias estaduais de saúde têm um papel decisivo na coordenação regional das redes, no apoio técnico aos municípios e na integração entre Atenção Primária à Saúde, saúde mental, vigilância, escola e demais pontos de atenção. “Como a iniciativa começa em municípios-piloto e com uma governança que envolve UNICEF, Ministério da Saúde, secretarias e participação de adolescentes, o papel do Conass é justamente ajudar a transformar uma boa inovação em política pública sustentável”, enfatizou.

Já para a chefe de Saúde e Nutrição do Unicef, a iniciativa UAA é um compromisso com o direito integral à saúde, respeitando as diversidades. “A Unidade Amiga das Adolescências busca garantir o direito à saúde de forma integral. Nosso objetivo é capacitar as equipes para que o atendimento seja sensível às questões de gênero, raça e etnia”, explicou Phebo.

Segundo ela, o treinamento das equipes é o pilar central para que médicos, enfermeiros e recepcionistas pratiquem uma “escuta ativa e sem julgamentos”. O foco é criar um ambiente onde meninos e meninas se sintam seguros para expor suas vulnerabilidades e necessidades específicas.

Sobre a UAA (com informações da Unicef)

A UAA é sustentada por uma estrutura de governança que articula diferentes níveis e atores, garantindo consistência técnica e viabilidade de implementação. O UNICEF atua como apoiador técnico, coordenador geral da iniciativa e certificador. As Secretarias Municipais de Saúde têm papel central na iniciativa na coordenação junto às Unidades de Saúde e como cocriadoras das estratégias. O Ministério da Saúde acompanha a iniciativa no âmbito das políticas nacionais.

A condução estratégica é compartilhada com instâncias colegiadas que incluem representantes de conselhos, especialistas, da sociedade civil e adolescentes. Nos territórios, comitês locais apoiam a implementação, fortalecendo a articulação entre setores e promovendo a adaptação da iniciativa às realidades locais.

A participação de adolescentes e estruturante na UAA, acontecendo de forma transversal a toda a governança, contribuindo para que as decisões reflitam suas necessidades, percepções e experiências.

A implementação inicial da UAA ocorrerá em três municípios (Recife, Rio de Janeiro e Manaus) selecionados por sua relevância estratégica e diversidade de contextos. Essa etapa permitirá testar o modelo em diferentes realidades urbanas, identificar desafios e consolidar soluções adaptáveis a outros territórios.

Assessoria de Comunicação do Conass