Em Santa Catarina, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, abriu hoje (23), a segunda Oficina Regional de Regulação no Sistema Único de Saúde (SUS), promovida pelo Conass. O encontro reúne gestores e especialistas da região Sul para discutir desafios e estratégias voltadas à melhoria do acesso e da organização dos serviços de saúde.
Durante a abertura, Demarchi destacou a importância da regulação assistencial como eixo central da gestão pública. Segundo ele, o tema ganhou força diante de problemas recorrentes enfrentados pelos gestores. “Há 11 anos surgiu uma necessidade, infelizmente derivada da rotina de gestão, que é o chamado ‘fura-fila’, resultado da falta de uma regulação adequada”, afirmou.
O secretário explicou que o debate começou na Assembleia Legislativa e foi ampliado para os municípios, envolvendo diferentes esferas da administração pública. Para ele, Santa Catarina possui um sistema de regulação robusto, mas ainda enfrenta desafios para alcançar o equilíbrio ideal. “O estado regula muito, não porque seja simplesmente necessário regular, mas porque precisamos encontrar um equilíbrio no sistema, evitando a burocratização excessiva e, ao mesmo tempo, melhorando o funcionamento da saúde pública”, disse.
Demarchi ressaltou ainda que a busca por esse equilíbrio tem sido um processo complexo, exigindo diálogo contínuo entre gestores e aprimoramento das ferramentas de gestão, com o objetivo de garantir mais eficiência e equidade no atendimento à população.
Suelen Arduin, diretora do Departamento de Regulação da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, enfatizou a importância de fortalecer a governança do SUS escutando os estados vizinhos. Segundo ela, a consolidação das políticas de regulação acontece, sobretudo, no território, onde estão concentradas as demandas da população e a capacidade de resposta da rede assistencial. “Quando trazemos a pauta da regulação, estamos falando do coração da saúde. A implementação e a consolidação dessas políticas se dão no território, porque é lá que estão as necessidades e onde encontramos a capacidade de resposta da rede”, afirmou.
A diretora também ressaltou que escutar as diferentes realidades dos estados, os avanços e dificuldades é fundamental para o aprimoramento do sistema. “Queremos trazer nossas vivências, para que, juntos, possamos identificar o que precisa ser melhorado, tanto no acesso quanto no funcionamento do sistema como um todo”, completou.
Já a diretora de assistência social do Paraná, Sandra Busnello, destacou a relevância dos encontros regionais promovidos pelo Conass. “Esses espaços são fundamentais para a troca de experiências. Aqui conseguimos compreender melhor a realidade da região Sul e pensar, de forma conjunta, soluções para os desafios que enfrentamos”, afirmou.
O secretário executivo do Conselho, Jurandi Frutuoso, reforçou o caráter estratégico da regulação no sistema de saúde e a necessidade de ampliar o debate em todo o País. Segundo ele, ainda é fundamental percorrer diferentes regiões para sensibilizar gestores e a população sobre a importância do tema. “É preciso caminhar pelo Brasil discutindo a regulação, porque nem sempre ela é vista como o coração do sistema. Tanto a população quanto os gestores precisam compreender que, sem uma regulação bem estruturada e no tempo adequado, não há garantia de acesso efetivo aos serviços de saúde”, afirmou.
Jurandi destacou que o Conass tem como missão assessorar os estados em temas de grande relevância para o SUS, como a regulação, contribuindo para o fortalecimento da gestão pública.
A iniciativa, que integra o ciclo de Oficinas Regionais de Regulação no SUS, percorrerá todas as cinco regiões do Brasil ao longo de 2026. O objetivo é fomentar o intercâmbio de experiências e aprimorar as práticas de regulação, contribuindo para um sistema de saúde mais eficiente e equitativo.