Conass recebe o II Encontro da Rede dos Núcleos Estaduais de Gestão Estratégica da Segurança do Paciente 

II Encontro da Rede dos Núcleos Estaduais de Gestão Estratégica da Segurança do Paciente

Nos dias 18 e 19 de junho, aconteceu na sede do Conass, em Brasília, o 2º Encontro da Rede dos Núcleos Estaduais de Gestão Estratégica da Segurança do Paciente (Negesp). O evento reuniu os representantes das secretarias estaduais de saúde que compõem os Negesp, para fortalecer a gestão da segurança do paciente no Sistema único de Saúde (SUS), a partir de debates sobre inteligência artificial, jornada assistencial, letramento em saúde, judicialização e comunicação em situações sensíveis.

A assessora técnica do Conass e idealizadora do Negesp, Carla Ulhoa, enfatizou que o encontro buscou criar conexões e transformar ideias em resultados concretos, focando no impacto humano por trás dos indicadores de gestão.

O encontro teve na pauta desde um treinamento sobre inteligência artificial à necessidade de letramento em saúde e traçou diretrizes para uma gestão pública mais eficiente, menos burocrática e, acima de tudo, focada nas pessoas.

Na abertura do encontro, o secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, destacou a importância de alicerçar decisões em evidências e reforçou seu apoio incondicional ao trabalho da equipe de gestão estratégica. Integrar dados reais e confiáveis em tempo real para fortalecer a tomada de decisão no SUS, utilizando a inteligência como instrumento de gestão, é imprescindível para o nosso trabalho”, afirmou.

No primeiro dia do encontro, o gerente do Centro de Inteligência Estratégica para a Gestão Estadual do SUS (Cieges/Conass), conduziu um treinamento para o uso prático da inteligência artificial (IA).  

Sandro enfatizou que o uso da IA no cotidiano institucional não visa substituir o fator humano, mas sim ser uma inteligência gestora, que une a capacidade computacional com a articulação e a validação que só o ser humano é capaz de fazer. 

Já a jornada do paciente foi tema de intervenção da fundadora da Patient Centricity Consulting, Kelly Rodrigues, que  abordou a jornada do paciente, alertando que o fluxo desenhado no papel pelas instituições frequentemente não corresponde à vivência do usuário, o que gera riscos severos de descontinuidade no tratamento, deixando pacientes órfãos nas transições de cuidado.

Em complemento, Fabrício Santos Neves, secretário de Direitos Humanos do Espírito Santo, apresentou dados alarmantes em relação às falhas de comunicação com os pacientes, classificadas como erros omissivos em 2024. “Essas falhas resultaram em processos judiciais por erro médico que somam mais de 33 milhões de reais, o que reforça a necessidade urgente de investir na prevenção de danos e em uma melhor qualificação da linha de frente”, alertou.

Outro tema que chamou a atenção no encontro foi o baixo letramento em saúde no Brasil, definido pelo representante do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, Rogério Barreto, como uma epidemia silenciosa. 

Rogério observou que aproximadamente 29% da população apresenta algum grau de analfabetismo funcional.

Segundo ele, o modelo transferencial, no qual o médico fala com termos técnicos e pressupõe que o paciente compreendeu é falho e defendeu uma comunicação empática, lembrando que a falta de entendimento gera vergonha no paciente, camuflando dúvidas e comprometendo severamente a segurança do tratamento.

Carla Ulhoa entrega chave simbólica da Sala do Conselho

Sala do Conselho

Como símbolo de pertencimento e compromisso com a transformação da gestão em saúde, os participantes da Rede Negesp receberam uma chave de acesso à Sala do Conselho. “Mais do que um objeto simbólico, a chave representa a entrada em um espaço de troca, aprendizado e construção coletiva, destinado a fortalecer lideranças comprometidas com a segurança do paciente”, disse a assessora técnica do Conass, Carla Ulhoa.

 Inspirada na premissa de que grandes resultados são construídos de forma colaborativa, a iniciativa convida os gestores a compartilharem experiências, ampliarem perspectivas e desenvolverem soluções capazes de gerar impacto real na vida das pessoas que dependem do SUS.

No segundo dia do encontro, os participantes aprofundaram o debate sobre o desenvolvimento de lideranças e as estratégias de comunicação e liderança. Marcus Carvalho, gerente da assessoria de comunicação do Conass, reforçou que o verdadeiro ato de comunicar deve ser um um diálogo voltado para gerar entendimento e compartilhamento de ideias, sentidos e emoções. 

Ele explicou que em um ambiente de competição permanente, a área técnica precisa aprender a traduzir o impacto para governar a atenção dos gestores. “Isso significa converter dados frios em significado prático”, enfatizou. 

Marcus defendeu a necessidade de estreita parceria entre o Negesp e as Assessorias de Comunicação das Secretarias Estaduais de Saúde, com o  objetivo de estabelecer uma governança conjunta contínua e não apenas nos momentos de crise. 

A reunião também avançou em temas críticos da gestão, como a abordada pela especialista Helaine Capucho que abordou a relação entre segurança do paciente, eficiência e resultados para o SUS e a pauta sobre o conceito de disclosure na prática, conduzida pela representante do Ministério da Saúde, Aline Albuquerque. 

Como encaminhamentos, estão a criação de uma biblioteca de prompts para apoiar os estados, a multiplicação do uso de IA nas equipes técnicas, o avanço na implantação dos núcleos estaduais e o desenvolvimento de projetos-piloto voltados à jornada do paciente.

O encontro reforçou que dados, tecnologia e inteligência de gestão devem estar a serviço de um propósito maior: proteger vidas, qualificar o cuidado e fortalecer a atuação das SES na segurança do paciente.“O cuidado ideal é aquele que, estruturado na gestão, consegue efetivamente chegar à ponta e proteger a vida das pessoas”, concluiu a assessora técnica do Conass, Carla Ulhoa.

📍 Acesse aqui as fotos da reunião.

Tatiana Rosa

Assessoria de Comunicação do Conass