Covid-19: Secretário de Saúde propõe que Brasil doe vacinas para Bolívia e Paraguai

Ofício enviado pela Secretaria Estadual de Saúde ao Ministério da Saúde afirma que é fundamental que o Brasil, no momento que possui sobra de doses disponíveis, possa doar vacinas para os países vizinhos que estão com baixa cobertura, principalmente os que estão com menos de 50%

 A viabilidade de promover a doação de vacinas contra a Covid-19 para países que fazem fronteira com o Brasil, sendo num primeiro momento para o Paraguai e a Bolívia, é uma sugestão que o secretário estadual de Saúde Geraldo Resende está fazendo ao Ministério da Saúde. O objetivo é diminuir a transmissão nas regiões fronteiriças do território nacional, bem como, reduzir um eventual impacto da variante Ômicron nos serviços de saúde dessas regiões, minimizando a possibilidade de surgimento de possíveis novas variantes na região.

De acordo com ofício enviado pela Diretoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES) para o Ministério da Saúde, há uma grande preocupação com os municípios do Paraguai e Bolívia, que fazem fronteira seca com Mato Grosso do Sul, devido ao baixo desempenho vacinal obtido por tais países, até o presente momento, de acordo com o Painel de Vacinação das Américas, acessado em no último dia 2 de dezembro.

“O baixo desempenho vacinal do Paraguai e Bolívia, colocam em situação de vulnerabilidade, os residentes dos treze municípios de fronteira de Mato Grosso do Sul (Mundo Novo, Japorã, Sete Quedas, Paranhos, Coronel Sapucaia, Aral Moreira, Ponta Porã, Antônio João, Bela Vista, Caracol, Porto Murtinho, Corumbá e Ladário), por possuírem cidadãos que residem, trabalham e circulam diariamente neste território estadual”, explica o ofício enviado ao Ministério da Saúde, mesmo que essas populações tenham sido completamente imunizadas com a vacina da Janssem.

Segundo o secretário estadual de saúde Geraldo Resende, “podemos considerar que a iniquidade da oferta de vacinas em todo o mundo, em tese, é responsável pelo surgimento da variante Ômicron (B 1.1.529), com grande potencial de escape de resposta imune e possível impacto, no aumento de casos, hospitalizações e óbitos”.

Geraldo Resende afirma ainda que o acesso à vacinação e a dose de reforço no contexto da América do Sul é extremamente desigual. “A Bolívia apresenta apenas 34,2% da sua população vacinada, seguida de Paraguai com 46,3% e Venezuela com 57,2%”.

Nesse contexto, afirma o documento da SES, “é fundamental que o Brasil, no momento que possui sobra de doses disponíveis, possa doar vacinas para os países vizinhos que estão com baixa cobertura, principalmente os que estão com menos de 50%. Além disso, seria essencial ofertar a dose de reforço pelo menos para todos os profissionais de saúde, às pessoas com mais de 60 anos e com comorbidades”.

Outro argumento apresentado pela SES é que as regiões de fronteiras apresentam fluxo intenso de pessoas sem um controle sanitário adequado, e muitos serviços de saúde são compartilhados e a atividade econômica é extremamente relevante para os países.

“Nosso Estado entende que neste momento o Brasil poderia fornecer ajuda humanitária aos países da América do Sul que estão com dificuldades no processo vacinal e que fazem ou não fronteiras com nossos estados. Estamos preocupados com o percentual de vacinados no Paraguai e na Bolívia! 33 a 34 % de sua gente. Daí a necessidade de ajuda não só doando doses mas ajudando a suas aplicações”, conclui o secretário Geraldo Resende.

Por Ricardo Minella

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