
Brasília – Em visita ao Brasil, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Jarbas Barbosa, esteve na sede do Conass nesta quarta-feira (11), acompanhado pelo representante da organização no País, Cristian Morales.
O diretor foi recebido pela presidente da instituição, Tânia Mara Coelho, pela coordenadora técnica, Rita Cataneli e pelo assessor para Relações Internacionais, Fernando Cupertino, em um encontro marcado pelo diálogo estratégico voltado ao fortalecimento da parceria e da cooperação mútua, consolidando agendas que visam o aprimoramento contínuo do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que tange ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.

“Precisamos de uma Atenção Primária à Saúde (APS) resolutiva para termos um sistema de saúde resiliente”, disse Jarbas Barbosa, ressaltando em seguida que o Brasil já sinalizou a intenção de aderir à Aliança pela Atenção Primária à Saúde nas Américas, uma iniciativa conjunta da Opas, do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), oferece aos países membros cooperação técnica para acessar financiamentos estratégicos. Segundo Barbosa, nove países já fazem parte do pacote e outros cinco devem aderir até o fim do ano.
Ao todo, nove países das Américas já aderiram ao pacote e outros cinco devem se somar à iniciativa até o fim deste ano. “Isso está possibilitando com que os países usem recursos do BID ou do Banco Mundial, para fortalecimento da APS, com reformas de unidade, equipamento para atenção de cuidado na ponta, conectividade, treinamento, telessaúde, telemedicina. Ou seja, um pacote de intervenções que realmente ofereça mais resolutividade”, disse.
Sobre o tema, a presidente do Conass ressaltou que o fortalecimento da APS também passa pela educação em saúde. “Nós contamos com o apoio da Opas nesse sentido: trabalhar com mecanismos de educação, nas escolas, na comunidade como um todo, para que a população entenda, desde as crianças até os mais idosos, que a porta de entrada do SUS é na atenção primária, Só assim conseguiremos mudar essa realidade”, enfatizou Tânia.
Jarbas citou indicadores sobre hipertensão no Brasil e disse que, em países que investiram em intervenções para o fortalecimento em 100% da atenção primária, como no caso de El Salvador, o percentual de hipertensão controlada passa de 62%.
Outro tema estratégico foi a utilização dos Fundos Rotatórios da Opas. O mecanismo permite ao Brasil adquirir vacinas, medicamentos essenciais e suprimentos de forma mais rápida, transparente e com preços competitivos. “A Opas tem muita força na produção e movimentação de imunizantes e podemos atuar em acordos que deem mais agilidade ao País”, afirmou o diretor.
A regionalização da saúde, o investimento em telemedicina e na resiliência de unidades hospitalares diante de desastres climáticos também foram apontadas como áreas prioritárias para cooperação entre as instituições.
Sobre este último ponto, a coordenadora técnica do Conass, Rita Cataneli, destacou o GeoConass, sistema de georreferenciamento voltado à visualização geográfica da rede do SUS, desenvolvido pelo Cieges/Conass. A ferramenta apresenta informações detalhadas sobre municípios, estados e Distritos Sanitários Especiais Indígenas, permitindo análises de indicadores de riscos sócio-sanitários, redes de atenção, fluxos de acesso e estrutura de saúde, o que pode subsidiar futuras parcerias nesta área.
Ao final do encontro, Jarbas Barbosa, fez uma breve participação na reunião conjunta dsa Câmaras Técnicas do Conass de Vigilância em Saúde Ambiental e de Epidemiologia, ocasião em que reafirmou o compromisso de caminhar ao lado do Conass. “É essencial fortalecer essa aliança histórica, valorizando o papel fundamental que os estados desempenham na gestão da saúde brasileira”, concluiu.

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Assessoria de Comunicação do Conass