Há três séculos, vacinas salvam vidas

Ao longo da história, os imunizantes contribuíram para o controle de epidemias e erradicação de doenças

Ao longo da história, as vacinas foram responsáveis pela erradicação de doenças graves. O primeiro imunizante foi aplicado no século XVIII, em 1796, no interior da Inglaterra, pelo médico rural Edward Jenner. Foi um garoto de 8 anos chamado James Philipps que recebeu a vacina produzida a partir de um líquido retirado da lesão de uma mulher que havia sido infectada pela “varíola bovina”.

Design sem nome.jpgA varíola é uma doença altamente contagiosa causada pelo ortopoxvírus, que pode provocar a morte. No século XVIII, a doença era uma preocupação mundial, pois também acometia os rebanhos. No entanto, o vírus que adoecia vacas e bois era diferente do vírus que afetava os humanos. Era mais brando e não causava bolhas de pus na pele. Observando o comportamento do vírus nas duas espécies, Jenner constatou que as pessoas que trabalhavam com a ordenha, e que se infectaram com vírus animal, não adquiriam a doença humana.

Foi então que ele resolveu aplicar o líquido com o vírus animal que infectara uma mulher no garoto de 8 anos. Seis semanas depois, ele aplicou no mesmo menino a varíola humana e o resultado foi, à época, surpreendente: James Philipps não adoeceu. O resultado foi o mesmo em outros testes. Embora o teste tenha apresentado eficácia, naquele tempo o experimento não foi bem recebido.

História

Com o passar dos anos, a ciência desenvolveu outros tipos de vacinas para prevenção de diversas doenças – algumas que até já foram erradicadas, como a varíola. Ao longo desta matéria, você vai acompanhar fotos históricas de campanhas de vacinação no Distrito Federal. A produção e pesquisa das informações foram levantadas pela Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde e o acervo foi cedido pelo Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF).

Foto ArPDF (8).jpgNo final da década de 1950, médicos militares norte-americanos criaram a pistola de vacinação que tinha como objetivo a imunização em massa de forma mais ágil e rápida. Inicialmente, apenas militares e prisioneiros em presídios recebiam a vacina aplicada com pistolas.

O equipamento também passou evoluções ao longo da história e, no ano de 1963, Aaron Ismach e Chester Eppley, ambos do Laboratório de Desenvolvimento de Equipamentos Medicinais do Exército dos Estados Unidos, desenvolveram um bico especial para inoculações intradérmicas com acionamento pneumático. O modelo era operado por um pedal e tornou-se popularmente conhecido como Ped-O-Jet. Mesmo que na época fossem utilizadas agulhas e lancetas na vacinação, a pistola foi a forma mais rápida de alcançar a massa.

Nos dias de hoje, a vacina é aplicada em seringas e agulhas individuais e sem possibilidade de reutilização.

Vacinação no Brasil

Assim como no mundo, a história da vacinação no Brasil está ligada à vacina da varíola. A primeira campanha de vacinação em massa no país ocorreu há mais de 100 anos e tinha o objetivo de controlar a doença.

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No Brasil, as campanhas são orientadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), referência mundial quando se fala em política pública de saúde. Criado em 1973, foi institucionalizado por meio da Lei nº 6.259/1975, e é gerido pelo Ministério da Saúde com a cooperação dos estados e municípios.

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O objetivo foi sistematizar ações de vacinação no país, com base na experiência da campanha contra a varíola na década de 1960, que erradicou a doença por meio da imunização em massa da população. O último caso de varíola notificado no Brasil foi em 1971.

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Em 1980, a Organização Mundial da Saúde reconheceu a erradicação da doença no mundo. Ainda na década de 80, foi realizada a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite (paralisia infantil). O último caso da doença registrado no Brasil foi em 1989. Em 1994, o país recebeu o certificado de eliminação da paralisia infantil.

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A poliomielite é uma doença causada pelo poliovírus que vive no intestino. Também chamada de paralisia infantil, pois ocorre com maior frequência em crianças menores de quatro anos. A doença também pode acometer adultos. O período de incubação varia de dois a trinta dias sendo, em geral, de sete a doze dias. A maior parte das infecções pelo poliovírus apresenta poucos sintomas ou nenhum.

“O Brasil conseguiu eliminar a enfermidade, mas ainda temos países no mundo com casos ativos da doença, como o Afeganistão e o Paquistão. Assim, há risco de reintrodução da poliomielite nos países se eles estiverem com a cobertura vacinal baixa”, adverte a gerente de Doenças Imunopreveníveis, Renata Brandão.

A gerente ressalta, ainda, que as vacinas são seguras, pois passam por um longo processo de aprovação até chegar aos braços da população. “Já está mais que comprovado nesse tempo todo que usamos os imunizantes que eles funcionam, protegem e, apesar de poder ter alguns eventos adversos, os benefícios são muito maiores que esses casos pontuais. Vacinar é cuidar, é proteger, é amar”, frisa.

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Eficácia

Os imunizantes previnem diversas enfermidades e, atualmente, têm demonstrado a capacidade de controlar a pandemia do novo coronavírus. Neste ponto, inclusive, vale destacar que a campanha de vacinação contra a covid-19 avança no país e já mostra resultados importantes em termos de redução de casos graves e óbitos. Sobre o tema, o subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero alerta que as vacinas disponíveis são seguras e eficazes.

“Todas as vacinas disponíveis passam por um comitê técnico-científico a nível mundial com todos os rigores de análise até a sua aprovação. Todas as vacinas que temos só têm sentido se forem aplicadas em caráter imediato considerando em especial o processo epidêmico do coronavírus. Portanto, a melhor vacina é aquela que vai estar no seu braço”, garante Divino.

Como as vacinas funcionam?

Renata Brandão explica que os imunizantes contêm partes enfraquecidas ou inativadas de um determinado organismo (antígeno) que desencadeia uma resposta imunológica. “Essa versão enfraquecida não causa a doença na pessoa”, afirma. “A vacina faz com que o sistema imunológico responda da mesma maneira que teria feito na sua primeira reação ao verdadeiro agente causador da doença”, completa.

Saúde coletiva

Quando uma pessoa é vacinada, ela não protege só a si mesma. Ela protege também as pessoas próximas e a coletividade. “Quando a população se vacina, diminuímos a incidência das doenças. E à medida que toda população vai sendo vacinada, os índices da doença caem até que toda população fique protegida”, destaca Renata. Isso é o que tem sido percebido com a vacinação contra a covid-19, por exemplo.

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Sobre isso, é fundamental chamar a atenção acerca das baixas coberturas vacinais registradas no Distrito Federal para a maioria das vacinas do calendário básico, que não atingiram as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde.

“O Brasil eliminou o sarampo e, em 2016, recebeu da Organização Pan Americana de Saúde (Opas/OMS) o certificado de eliminação da doença. Entretanto, devido às baixas coberturas vacinais, o vírus foi reintroduzido no País, em 2018, levando o Brasil a perder, em 2019, a certificação”, aponta a gerente.

Segundo ela, isso mostra que quando as coberturas estão baixas, as doenças que estão eliminadas, podem retornar. Por isso, pede que a população mantenha sempre a situação vacinal atualizada e lembra que a melhor vacina é a que está disponível.

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“O importante não é qual vacina, mas a proteção que todas trazem contra casos graves. Quanto mais rápido e maior percentual da população vacinada, mais rápido controlamos a propagação da doença e maior proteção trazemos para a coletividade. Isso que deve ser nossa meta. Basta ver o histórico das grandes campanhas de vacinação, que não havia a escolha por determinado imunizante, mas foco em eliminar as doenças”, salienta.

Programa Nacional de Imunização

O PNI distribui vacinas para as mais diversas doenças de forma gratuita para toda a população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). As vacinas do calendário nacional estão disponíveis nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Para saber se você está com todas as vacinas atualizadas, basta comparecer a uma UBS com a caderneta de vacinação para que o profissional avalie e, se for o caso, atualize a caderneta vacinal.

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Por Lívia Davanzo e Johnny Braga da Agência Saúde-DF
*Com informações do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Fotos: Acervo do Arquivo Público do Distrito Federal e Breno Esaki/Agência Saúde-DF
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