Hemodinâmica do Huse supera a marca de 3 mil procedimentos e muda cenário da cardiovascular em Sergipe

Serviço zerou filas, ampliou o acesso à alta complexidade e deu mais celeridade ao tratamento de pacientes em todo o estado

Há um ano, o estado de Sergipe deu um passo importante para o fortalecimento da assistência cardiovascular na rede hospitalar pública estadual. Inaugurado com a missão de oferecer diagnósticos e tratamentos especializados com uma maior celeridade e resolutividade, o Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Barreto, do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), alcançou uma marca histórica, com mais de 3 mil procedimentos realizados em apenas 12 meses de funcionamento.

Ao longo dos meses, o serviço se consolidou como referência nas linhas de cuidado voltadas à Cardiologia e Cirurgia Vascular, oferecendo procedimentos como cateterismos, angioplastias, implantes de marca-passo, cardiodesfibriladores implantáveis (CDI), ressincronizadores cardíacos, implante de válvula aórtica transcateter (Tavi), além de intervenções vasculares, como arteriografias, angioplastias periféricas e de carótidas, e implantes de filtro de veia cava. Outros procedimentos também foram realizados, como as arteriografias cerebrais, nefrostomia percutânea e drenagem biliar.

Para o cardiologista intervencionista e coordenador da Hemodinâmica do Huse, Thiago Lopes, o primeiro ano de funcionamento representa uma verdadeira mudança de paradigma na assistência cardiovascular em Sergipe. “Começamos, inicialmente, com poucos procedimentos e aumentamos gradativamente a oferta, assim como a complexidade dos casos. Hoje, com mais de três mil procedimentos realizados, podemos afirmar que esse serviço se tornou um marco para a saúde do estado”, destacou.

Impactos positivos

A implantação da Hemodinâmica impactou diretamente pacientes que aguardavam por meses para realizar exames diagnósticos ou tratamentos cardiovasculares. “Tínhamos pacientes internados aguardando cateterismo para definição do tratamento. Essas filas foram zeradas. O mesmo aconteceu com a fila de implante de marca-passo. Hoje, realizamos mais de 200 cateterismos, cerca de 50 angioplastias e entre 15 e 20 implantes de marca-passo todos os meses”, acrescentou Thiago.

Ao longo do primeiro ano, o serviço incorporou técnicas cada vez mais avançadas, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes antes considerados de maior risco. “Seguiremos avançando e incorporando novas técnicas. Nosso compromisso permanece sendo oferecer assistência de excelência e ampliar o acesso da população aos tratamentos mais modernos”, afirmou.

Destinos transformados

Entre os milhares de pacientes atendidos está o agricultor Domingos Dantas, de 91 anos, morador do município de Poço Verde. Após sentir cansaço intenso e falta de ar, ele precisou ser transferido para o Huse, com indicação para implante de marca-passo. “Sentia aquela aflição e uma falta de ar que nunca passava. Agora estou bem. Quando cheguei aqui, fui muito bem atendido. O pessoal me animou e, hoje, estou aqui contando história. Sou muito grato a Deus e a toda a equipe”, contou.

Ao lado dele durante a internação, a filha, a professora Josefa Iranilde Dantas, lembra dos momentos de preocupação vividos pela família. “Ele é nossa preciosidade. Quando teve uma crise, foi tudo muito difícil. Chegamos ao Huse sem conhecer o serviço e fomos surpreendidos pela rapidez e pelo acolhimento. Ele foi estabilizado, realizou o procedimento e, hoje, está bem. Essa agilidade foi determinante para que ele esteja conosco”, comentou.

Outro paciente beneficiado foi o comerciante Tarcísio dos Reis Guimarães, de 52 anos, que procurou atendimento após episódios recorrentes de dor no peito. “Eu saía para caminhar pequenas distâncias e precisava parar por causa da dor. Fiz os exames, fui encaminhado para o serviço e estou sendo muito bem atendido. O acolhimento dos médicos e de toda a equipe é nota dez”, disse.

Avanços significativos

Para o cardiologista e coordenador das linhas de cuidado cardiovascular do Huse, José Edvaldo dos Santos, a marca alcançada vai além dos indicadores assistenciais. “Esses três mil procedimentos representam mudanças na vida das pessoas. Foram três mil destinos transformados, famílias mantidas unidas e novas perspectivas de futuro”, ressalta.

Ainda segundo o coordenador, a implantação do Centro de Hemodinâmica permitiu reorganizar toda a linha de cuidado cardiovascular do estado, especialmente para pacientes com infarto. “O curso da doença coronariana foi modificado quando oferecemos mais rapidez no acesso e mais qualidade ao tratamento. Isso só foi possível graças ao trabalho de uma equipe comprometida, ao apoio da gestão e à força de um serviço público que, quando bem estruturado, consegue transformar realidades”, assegurou.

Os avanços já refletem em outras linhas de cuidado, como a assistência vascular e o atendimento ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Seguimos com o mesmo propósito que nos trouxe até aqui, que é o de cuidar de pessoas, salvar vidas e fortalecer cada vez mais a saúde pública de Sergipe”, enfatizou Edvaldo.

Mais qualidade de vida

Os resultados também foram percebidos na linha de cuidado da Cirurgia Vascular. Procedimentos diagnósticos e terapêuticos passaram a ser realizados com maior rapidez, reduzindo o tempo de internação e permitindo decisões terapêuticas mais céleres. “Esse desempenho de excelência tem sido fundamental para reduzir o tempo de internação e garantir procedimentos ágeis que diminuem significativamente os índices de amputação, preservando a funcionalidade e a dignidade dos pacientes”, reiterou o cirurgião vascular João Chaves.

Estrutura

O Centro de Hemodinâmica conta com sala cirúrgica, sala de hemodinâmica, leitos de recuperação pós-anestésica, UTI exclusiva, enfermarias próprias e equipe multiprofissional especializada formada por médicos, enfermeiros, técnicos de radiologia, instrumentadores cirúrgicos, anestesistas, farmacêuticos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. Além dos procedimentos, o serviço oferece acompanhamento ambulatorial contínuo para pacientes que passaram por intervenções, fortalecendo a continuidade do cuidado e aumentando a segurança clínica após a alta hospitalar.

O serviço é gerenciado pela Fundação Bahiana de Cardiologia (FBC), instituição com ampla experiência técnica e de gestão em cardiologia, sendo referência no setor.