Hugo capacita profissionais para ampliar rede de cuidados paliativos

Profissionais do Hugo após participarem da qualificação sobre cuidados paliativos a pacientes

Quando o paciente está internado por uma doença que ameaça de alguma forma a sua vida, tudo o que a pessoa e os familiares esperam é que o peso do leito hospitalar seja minimizado. E é justamente quando entra a medicina paliativa, uma abordagem interdisciplinar para promover a qualidade de vida dos envolvidos no tratamento por meio da prevenção e do alívio do sofrimento físico, psíquico, social e espiritual.

De olho no bem-estar da pessoa que chega ao Hospital Estadual de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz (Hugo) em busca de tratamento de saúde, a equipe multiprofissional da unidade do Governo de Goiás passou a receber treinamento de capacitação para ampliar a rotina de cuidados paliativos aos pacientes.

O médico paliativista Igor Cabral relata que, desde abril, os profissionais de diferentes áreas de saúde do Hugo participam de atividades de aperfeiçoamento das técnicas de humanização no atendimento. “O cuidado paliativo é uma abordagem de cuidado para qualquer pessoa que esteja diante de uma doença grave, incurável, progressiva ou que possa gerar algum tipo de sofrimento”, explica.

Diginidade
De acordo com o médico, além do controle dos sintomas para reduzir ao máximo o sofrimento de pacientes nessas condições de saúde, o profissional precisa auxiliar as equipes para que a pessoa em tratamento receba uma assistência com dignidade, qualidade e o máximo de conforto possível.

“Fazemos uma avaliação do paciente, tentamos resgatar a biografia dessa pessoa. É muito importante sabermos bem de quem estamos cuidando. Precisamos resgatar os valores e preferências para que o paciente tenha sempre a sua autonomia preservada e possa participar do planejamento de cuidados.” Ainda faz parte do uso dos cuidados paliativos a inclusão da família na forma de encarar os cuidados daquela pessoa.

Formação da equipe
A médica Amanda Vitoy, que também tem formação em cuidados paliativos, atua com Igor Cabral na capacitação dos profissionais do Hugo, desde fonoaudiólogos, enfermeiros e psicólogos a assistentes sociais, para formar uma equipe que saiba lidar de forma adequada com os pacientes desde o momento da internação ao acolhimento familiar e os cuidados.

“Temos dois representantes de cada área – psicologia, serviço social, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia e nutrição – na equipe”, descreve a paliativista.

Além das atividades de capacitação feita diretamente pelos médicos paliativistas, as equipes multiprofissionais recebem materiais que tratam dos cuidados paliativos para que os representantes de cada profissão de saúde realizem o treinamento com os outros integrantes do corpo clínico do Hugo.

Avanço 
“À medida que a população em geral vai se conscientizando, desmistificando e conhecendo os cuidados paliativos, aumenta a procura espontânea do próprio paciente ou familiares, o encaminhamento e solicitação de interconsultas precoces, que são aquelas feitas no início do diagnóstico da doença que ameaça a vida”, observa Amanda.

A médica afirma que os cuidados paliativos, apesar de serem práticas pouco conhecidas, têm ganhado espaço na prática das unidades de saúde. “Anualmente, mais de 56,8 milhões de pessoas necessitam de cuidados paliativos. Contudo, apenas 12% da necessidade mundial está sendo atendida”, pontua a médica.

Augusto Diniz (texto e foto)/INTS

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