A Residência Uniprofissional em Enfermagem Obstétrica do do Instituto Estadual de Educação em Saúde Pública de Rondônia, vinculado a Secretaria Estadual de Saúde, em parceria com a Associação Beradeiro, desenvolve ações integradas de cuidado à saúde sexual e reprodutiva de mulheres e adolescentes das comunidades ribeirinhas de São Carlos, Nazaré e Calama, às margens do Rio Madeira, na Amazônia. A intervenção articula ensino, serviço e comunidade, utilizando metodologias ativas, rodas de conversa, oficinas educativas, testagens rápidas, coleta de exames preventivos e consultas ginecológicas. A experiência possibilitou a ampliação do acesso a serviços de saúde em áreas remotas, o fortalecimento do vínculo comunitário, a formação crítica das residentes e a promoção da equidade no cuidado. Foram resgatadas gestantes sem pré-natal, identificadas e tratadas ISTs, distribuídos contraceptivos, e produzidos materiais educativos para continuidade das ações. A iniciativa reafirma o SUS como política pública transformadora nos territórios amazônicos.
Problema enfrentado e objetivo
A experiência enfrentou como principal desafio a baixa cobertura da atenção à saúde sexual e reprodutiva em comunidades ribeirinhas de difícil acesso na Amazônia. O objetivo foi ampliar o cuidado integral às mulheres e adolescentes, promovendo prevenção, educação e acesso qualificado aos serviços em territórios amazônicos marcados por vulnerabilidades sociais, geográficas e de saúde.
Descrição da intervenção
A intervenção foi desenvolvida pela Residência Uniprofissional em Enfermagem Obstétrica do IESPRO/SESAU em parceria com a Associação Beradeiro, com foco em comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia, nos distritos de São Carlos, Nazaré e Calama, às margens do Rio Madeira. A metodologia baseou-se na educação popular em saúde e nas práticas da educação permanente, utilizando oficinas temáticas, rodas de conversa, atividades escolares, testagens rápidas, consultas ginecológicas, coleta de exames e ações de planejamento familiar. As atividades foram conduzidas por residentes, preceptoras, profissionais das equipes de saúde da família locais e lideranças comunitárias. O público-alvo incluiu mulheres em idade fértil, gestantes, adolescentes, mulheres no climatério, escolares do ensino fundamental e médio, além de professores e profissionais de saúde locais. A abordagem integradora, dialógica e territorializada fortaleceu o vínculo entre ensino, serviço e comunidade, respeitando as especificidades socioculturais da população amazônica.
Recursos necessários
A execução da experiência exigiu a mobilização de recursos humanos qualificados, especialmente residentes e preceptoras da Residência em Enfermagem Obstétrica, profissionais das equipes de saúde da família locais, além de lideranças comunitárias e educadores parceiros. Foram fundamentais recursos tecnológicos como kits de testagem rápida, equipamentos para coleta de exames citopatológicos, dispositivos móveis para registro e acompanhamento dos atendimentos, além de materiais audiovisuais para ações educativas. Do ponto de vista financeiro, foi essencial o apoio institucional da SESAU/RO e a articulação com a Associação Beradeiro, garantindo logística de transporte fluvial, hospedagem, alimentação das equipes e aquisição de insumos estratégicos, o que viabilizou a atuação em áreas de difícil acesso e a continuidade das ações no território.
Resultados
A intervenção resultou na atualização das consultas de pré-natal, com o resgate ativo de mulheres que estavam fora da assistência adequada, promovendo maior segurança gestacional. Houve detecção precoce de lesões precursoras do câncer de colo do útero, com encaminhamento ágil para o atendimento especializado. Casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) foram identificados, notificados e tratados de forma imediata, reduzindo riscos à saúde individual e coletiva. A oferta de contraceptivos foi ampliada, respeitando o direito à escolha e ao planejamento reprodutivo. Foram produzidos materiais educativos voltados às equipes locais, fortalecendo as ações contínuas de educação em saúde. Destaca-se ainda o fortalecimento do vínculo com a comunidade e com as equipes de saúde, favorecendo o acolhimento, a continuidade do cuidado e a garantia do retorno dos exames coletados com orientações adequadas, assegurando qualidade e resolutividade na atenção.

Fatores de sucesso e lições aprendidas
Os principais fatores de sucesso da intervenção incluem a articulação efetiva entre ensino, serviço e comunidade, o uso de metodologias participativas e culturalmente sensíveis, o fortalecimento do vínculo com as populações ribeirinhas e a atuação territorializada das residentes. A parceria com a Associação Beradeiro foi essencial para o acesso e a confiança das comunidades. Entre as lições aprendidas, destaca-se a importância da escuta qualificada, da valorização dos saberes locais e da flexibilização das práticas diante das limitações logísticas da Amazônia. A experiência reafirma que o cuidado em saúde, quando pautado na equidade, no respeito às diversidades e na educação em saúde, é capaz de transformar realidades e formar profissionais comprometidos com o SUS e com os territórios onde atuam.