Na última semana, o Espírito Santo foi um dos estados que recebeu fortes chuvas. Diante deste cenário e do período de instabilidade climática, a Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE/SESA), orienta a população sobre os cuidados para evitar doenças, assim como medidas a serem tomadas após situações de alagamentos, enchentes ou enxurradas.
De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, as recomendações visam evitar a contaminação por doenças como leptospirose, hepatite A, cólera, tétano acidental, entre outras. Para isso, ele destaca que “em situações de emergência, é essencial tomar cuidado com a água, alimentos e com a higiene”, pontuou Cardoso.
Abaixo, os principais cuidados a serem seguidos:
- Cuidados com a água:
A água contaminada é um dos principais riscos após enchentes ou fortes chuvas. Algumas doenças podem se propagar facilmente em decorrência da contaminação da água e dos alimentos, como diarreia, cólera, febre tifoide, hepatite A, giardíase, amebíase, verminoses e leptospirose. Portanto, não consuma alimentos que tenham tido contato com a água da inundação ou lama, incluindo alimentos embalados, enlatados ou alimentos perecíveis (como frutas, legumes e verduras).
Antes de beber, é essencial adotar medidas para tornar a água segura para consumo. Para isso, é importante o processo da filtragem e desinfecção, seguindo o processo de:
1) Use filtros domésticos, coadores de papel ou panos limpos para filtrar a água. Em seguida, adicione 2 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária) por litro de água, misture bem e aguarde 30 minutos antes de consumir;
2) Caso não tenha hipoclorito de sódio, ferva a água por 5 minutos após o início da fervura. Deixe esfriar antes de consumir.
- Cuidados com os alimentos:
Durante e após uma situação de emergência, é possível que os alimentos não estejam em condições adequadas para serem consumidos. O cuidado na higienização, na preparação e no armazenamento dos alimentos é um procedimento de extrema importância, pois alimentos manipulados e armazenados de forma inadequada podem transmitir doenças.
É vital descartar qualquer alimento que tenha tido contato com a água da enchente, incluindo embalagens seladas que possam parecer intactas. Além disso, lembrem-se:
1) Não consuma alimentos embalados que tenham sido submersos. Isso inclui latas de metal herméticas que estejam danificadas, amassadas ou enferrujadas;
2) Higienização: lave cuidadosamente todos os utensílios de cozinha e superfícies com água limpa e sabão antes de usar.
- Prevenção de doenças: saiba quais e fique atento aos sintomas
A contaminação da água e dos alimentos pode levar a doenças como leptospirose, hepatite A, febre tifoide e diarreias agudas. Evite contato da pele com a água, já que transmissão hídrica não precisa de machucado para servir como porta de entrada para eventos de contaminação. Em caso de sintomas, procure atendimento médico imediatamente.
1) Leptospirose: é causada por uma bactéria presente na urina de roedores e transmitida pela água contaminada. Entre os sintomas, estão febre, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite, dor muscular, náuseas e vômitos, urina escura evoluindo para pele amarela, manchas avermelhadas e roxas na pele. O início dos sintomas pode ocorrer, em média de sete a 14 dias, podendo aparecer até 30 dias, após contato com a água ou lama de enchente;
2) Tétano acidental: pode ocorrer através de ferimentos causados por objetos contaminados. Mantenha as vacinas em dia e, ao manusear destroços, use luvas e botas para evitar lesões. Entre os sintomas, estão a dificuldade de abrir a boca e engolir, fortes contrações musculares no rosto, no pescoço e até mesmo na barriga e dificuldade de respirar. Esses sintomas podem evoluir para contraturas (o músculo fica duro) generalizadas e, por vezes, são desencadeadas com luz intensa ou som muito alto. Se sentir qualquer um desses sintomas em até sete dias após a lesão na pele, deve-se procurar um serviço de saúde com urgência. É preciso contar ao médico como e com que ocorreu a lesão;
3) Diarreia: três ou mais episódios de diarreia em um intervalo de 24 horas;
4) Hepatite A: cansaço, tontura, enjoo, vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras;
5) Febre Tifoide: acontece quando a salmonela cai na corrente sanguínea. Essa bactéria provoca um quadro que se arrasta por duas ou três semanas com mal-estar, febre, dor de cabeça, dor na barriga (abdominal), falta de apetite, diarreia ou prisão de ventre, e tosse seca;
6) Cólera: a cólera é uma infecção intestinal aguda causada pela ingestão de alimentos ou água potável contaminada com a bactéria conhecida como Vibrio cholerae. A doença tem um período de incubação curto e produz uma toxina que causa diarreia aquosa contínua, uma condição que pode levar à desidratação grave e à morte rapidamente, se o tratamento não for prontamente administrado. Vômitos também ocorrem na maioria dos pacientes.
- Proteção contra animais peçonhentos:
Após enchentes, animais peçonhentos como escorpiões, cobras e aranhas procuram abrigo em locais secos, como no interior das residências ou em locais de acúmulo de entulhos, aumentando o risco de acidentes. Deste modo:
1) Evite tocar nesses animais, mesmo que pareçam mortos;
2) Ao realizar a limpeza do local, usar luvas e botas de borracha, ou sacos plásticos nos pés e mãos;
3) Em caso de acidente, busque atendimento médico. Receba orientações do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), ligue: 0800 283 9904.
- Riscos elétricos:
A presença de água condutiva aumenta o risco de choques elétricos. Se houver qualquer sinal de eletricidade em áreas inundadas, mantenha distância e informe as autoridades, e lembrem-se:
1) Evite áreas alagadas com eletricidade exposta, incluindo proximidades de painéis solares. Desligue a energia elétrica da residência se necessário.
E não se esqueça: proteja-se!
– Evite transitar em ruas e ambientes alagados. Caso não seja possível, se proteja com botas ou sacolas nos pés e mãos;
– Não consuma água, alimentos ou medicamentos que tiveram contato com águas da inundação, mesmo que estejam em embalagens plásticas, latas ou vidro;
– Em caso de falta de energia, não consumir alimentos da geladeira que tiverem alteração de cor, odor ou de consistência, como, por exemplo, carne crua muito amolecida;
– Use luvas e botas para fazer a limpeza de casa e outros ambientes. Lave e desinfete utensílios domésticos;
– Vire para baixo ou proteja da chuva todos os recipientes que possam acumular água para evitar focos do mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya.
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