Foto: Silviane Mannrich Ascom/SC
A violência contra mulheres é um importante problema de saúde pública. A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC) apresentou, durante a abertura do 10º Congresso do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/SC), em Chapecó, um panorama atualizado sobre o perfil dos casos notificados de violência contra mulheres no estado. A secretária adjunta, Dra. Cristina Pires Pauluci, iniciou sua exposição na mesa magna, com o vídeo da campanha do Governo do Estado “Seja Homem. Denuncie”, iniciativa que busca romper ciclos de agressão e convocar a sociedade, especialmente os homens, a rever comportamentos e assumir responsabilidade no combate à violência doméstica.
“Somos o principal ponto de contato para as mulheres que buscam ajuda. O maior número de notificações provém do setor de saúde. É fundamental que estejamos preparados para o acolhimento e para o tratamento dessas mulheres. Nossas políticas devem ser adaptadas para respeitar a pluralidade, considerando a faixa etária, o tipo de violência e a região em questão. Temos implementado políticas direcionadas às mulheres, que são as vítimas nesse processo. Agora, o governo estadual inova ao envolver os homens nessa questão, não apenas os potenciais agressores, mas os homens de modo geral, incentivando-os a denunciar. Acredito, no entanto, que precisamos avançar ainda mais no âmbito da saúde, construindo uma política que respeite as diferenças para que possamos atender às necessidades específicas de cada caso”, explica a secretária adjunta Cristina Pauluci.
De acordo com os dados apresentados, em 2024, foram registrados 320.472 casos notificados de violência contra mulheres no Brasil, número que representa um aumento de 11,3% em relação ao ano anterior. A maioria das ocorrências aconteceu dentro da própria residência das vítimas (62,1%), e 40,4% dos casos envolveram episódios de violência repetida.
Em Santa Catarina, a violência contra mulheres ocupa atualmente o terceiro lugar entre os agravos mais notificados envolvendo o público feminino, atrás de dengue e acidentes com animais com risco de raiva. Em 2025, foram registrados 12.403 casos no estado, crescimento de 24,2% em comparação com 2024. Somente em janeiro de 2026, já haviam sido contabilizados 842 casos notificados.
A apresentação também destacou o perfil das vítimas e os diferentes tipos de violência registrados no estado, incluindo violência física, sexual, psicológica e negligência. Grande parte das agressões ocorre dentro do contexto de relações pessoais, muitas vezes envolvendo parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
Outro ponto abordado foi a importância da notificação dos casos pelos serviços de saúde. Segundo a secretária adjunta, o registro adequado das ocorrências permite inserir a vítima em uma rede de proteção e cuidado, além de contribuir para o planejamento de políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência.
“Os centros de saúde e os hospitais são os locais onde as mulheres buscam ajuda e formalizam as notificações. Seja nas unidades básicas, nos hospitais ou em outros locais que proporcionam um ambiente de confiança, é no setor de saúde que as mulheres se sentem seguras para relatar o que aconteceu e receber acolhimento. Desempenhamos, portanto, um papel fundamental em acolher essas mulheres, criando uma rede de proteção adequada e oferecendo assistência especializada para cada tipo de violência”, reforça Dra. Cristina Pires Pauluci.
Equipe da SES/SC Foto: Divulgação Cosems/SC
Iniciativas em SC
Durante o evento, também foram apresentadas iniciativas de integração entre diferentes órgãos do poder público para ampliar a assistência às vítimas. Entre elas está o Espaço Acolher Floripa, inaugurado em agosto de 2024 no Multihospital, que recebe co-financiamento mensal de R$ 523,7 mil da SES. Oferece atendimento multidisciplinar 24 horas por dia a pessoas em situação de violência. O serviço reúne profissionais de saúde, assistência social e segurança pública no mesmo local, já tendo realizado cerca de 5 mil atendimentos.
Além disso, foi destacada a cooperação para fortalecer o Núcleo de Enfrentamento às Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), entre diferentes instituições: Secretarias de Estado da Saúde, Segurança Pública, Assistência Social e Educação; Ministério Público; Polícias Civil e Militar; e Ordem dos Advogados Do Brasil – Seccional Santa Catarina – OAB/SC.
Ao final da apresentação, a secretária adjunta reforçou que o enfrentamento da violência contra a mulher exige atuação integrada entre saúde, segurança pública e rede de proteção social. “A vida começa quando a violência acaba”, destacou, citando a frase da ativista Maria da Penha.

Foto: Silviane Mannrich Ascom/SC
Congresso
Também participaram do primeiro dia do 10º Congresso, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a secretária de Saúde São José e presidente do Cosems/SC, Sinara Simione, gestores, profissionais e especialistas de todo o estado. O evento, promovido pelo Cosems, reúne representantes dos 295 municípios catarinenses e segue até o dia 13 de março, para debater desafios atuais da saúde pública com uma programação voltada à qualificação da gestão municipal e ao fortalecimento do SUS, que completa 35 anos em 2026.
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Fonte: Assessoria de Comunicação
Secretaria de Estado da Saúde