Segundo dia da Conferência da Planificação destaca os 35 anos do SUS e os desafios para o fortalecimento da Atenção Primária

Autoridades participara da abertura do segundo dia da II Conferência Nacional da Planificação

Com a participação, presencial e à distância, de cerca de 2 mil pessoas de todos os estados brasileiros, a II Conferência Nacional da Planificação da Atenção à Saúde, que acontece em Brasília até o próximo dia 12, contou com a presença da ministra da saúde, Nísia Trindade.

“Neste evento devemos celebrar todos os profissionais que fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e que fazem a Atenção Primária à Saúde (APS) acontecer . É preciso pensar na reconstrução e renovação do sistema de saúde e na ampliação e fortalecimento da APS, na expansão da Atenção Ambulatorial Especializada, nos preparar para futuras emergências e investir, também, na expansão da saúde digital para que possamos ter uma atenção primária de qualidade”, disse a ministra.

Para o presidente do Conass, Fábio Baccheretti, o evento serve para mostrar a evolução do projeto da Planificação da Atenção à Saúde (PAS). Além disso, o presidente disse que fica evidente os papéis dos estados, municípios, governo federal e dos parceiros do SUS. “Estamos felizes em ver a sociedade civil e grandes hospitais envolvidos. É muito bom fazer parte deste evento e ver todos os envolvidos querendo fazer uma saúde melhor acontecer”, falou.

Baccheretti também destacou a atuação dos gestores no processo de trabalho, que segundo ele, têm grande responsabilidade para fazer com que os usuários utilizem o sistema de saúde com êxito. 

Já o presidente do Conasems, Hisham Hamida, ressaltou que a participação no evento representa o compromisso do Conass com a atenção primária, não só nos estados, mas também nos municípios. Para ele, para fazer uma APS resolutiva é necessário um financiamento adequado. “É preciso ter recursos suficientes para que a gente possa de fato ter uma saúde integrada”, ressaltou.

Representando a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Maria Silvia Fruet, destacou a importante parceria com o Conass e falou da importância da PAS para o SUS. “Este é um projeto que vem para mostrar que a organização dos fluxos de trabalho fazem a diferença na vida de muitos brasileiros”, disse, complementando em seguida que a Opas tem uma grande parceria com o Conselho também em outros projetos e ações.

Mesa redonda apresentou os resultados do Projeto da Planificação da Atenção à Saúde

Mesa redonda – Meu destino é andar por este país: Apresentando resultados da Planificação de Atenção à Saúde

Durante a apresentação da mesa redonda, a assessora técnica do Conass, Maria José Evangelista, contou como começou a Planificação, os desafios e os avanços já conquistados ao longo dos 15 anos do projeto.

Evangelista contou que a PAS, iniciada pelo Conass ainda em 2007, é hoje uma realidade em 20 estados e 1.760 municípios. Segundo ela, ver os resultados de maneira mais profunda é fundamental para aprimorar a sua metodologia e garantir que ela continue avançando por todo o Brasil com mais efetividade e com resultados cada vez melhores para o Sistema Único de Saúde. “Não foi fácil chegar até aqui, foi preciso ter paciência, persistência e muita resistência. É necessário ter muito foco no cidadão, organização de trabalho e ajuda dos trabalhadores da saúde”, falou.

Para Márcio Paresque, gerente de projetos do Hospital Israelita Albert Einstein, falar do projeto é exaltar que ele foi feito por muitas mãos. “O SUS só funciona quando nós temos pessoas empenhadas, pessoas que querem mudar o sistema de saúde. Nós estamos vindo ao longo desses anos fazendo cumprir o que se propõe a fazer a APS, porque saúde no Brasil é para todos”, enfatizou. 

Segundo Tânia Lago, médica sanitarista da Beneficência Portuguesa, a parceria com o Conselho e o empenho dos parceiros deram bons resultados. É bom ver o grupo unido com na reconstrução de um País desigual e com tanta coisa para fazer pela saúde dessa população. Foi bom ver os entusiasmos das pessoas da equipe que queriam fazer a Planificação acontecer”, contou.  

Quando se trata de prevenção de doenças e promoção à saúde, Evelyn Santos, gerente de Parcerias e Novos Projetos da Umane, falou do privilégio de trabalhar com o Conass nas ações de saúde em prol do fortalecimento do SUS. “Vimos a força do Conselho com os gestores públicos para fazer as coisas acontecerem. Nós queremos contribuir com a saúde no Brasil por meio de parcerias, colaborando com o poder público e em conjunto com a sociedade civil”, disse. 

Thaís Lessa, da Coordenação Geral de Saúde da Família e Comunidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, moderadora da mesa, falou que é preciso celebrar os trabalhadores da saúde que representam a força de trabalho do SUS. “Agradecemos aos convidados por estarem pensando em aprimorar e expandir a experiência da planificação em todo o Brasil”, finalizou. 

No começo da tarde, aconteceu a mesa Mesa Geração de conhecimento na PAS: O que a prática nos dá evidências – Dados do mundo real, com apresentações de avaliações de efetividade das atividades da PAS.

Hisham Hamida e Nésio Fernandes na mesa que abordou o Programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos: potencialidades e desafios

As potencialidades e desafios do Mais Médicos abriram a tarde daII Conferência Nacional da Planificação da Atenção à Saúde, pelo secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Nésio Fernandes.

Categórico, o secretário deu ênfase a números que mostram que o Brasil tem um gigantesco campo de prática para a formação profissional com a intencionalidade que o SUS precisa. “Temos um sistema com 55 mil Equipes de Saúde da Família em funcionamento, ou seja, um vasto campo para essa formação. O SUS já desenvolveu expertise de formação em escala. Nós somos competentes para traduzirmos a lógica de serviço-escola”, afirmou.

Nésio explicou que a reformulação do Mais Médicos dentro de uma estratégia nacional de formação de especialistas tem como objetivo não apenas atrair, mas também valorizar o profissional. Uma das novidades é a possibilidade da formação em Medicina de Família e Comunidade e o incentivo à permanência desses profissionais a partir de incentivos financeiros. 

De acordo com o secretário da SAPS/MS, o Mais Médicos precisava avançar na lógica da estratégia da formação de recursos humanos. Ele citou a meta de alcançar em 10 anos, cem mil médicos formados em Medicina de Família e Comunidade e, até o final do governo, 40 mil médicos atuando no programa. “Vamos criando arranjos complexos e inovadores e soluções para caminharmos no enfrentamento desses desafios que vão desde a fixação de profissionais nas áreas mais remotas até a formação”, concluiu.

Hisham Hamida, presidente do Conasems, destacou que a qualidade do ensino dos profissionais que atuam, especialmente, na APS precisa ser prioridade nas próximas discussões. “A atenção primária precisa ser resolutiva e integrada com a Atenção Farmacêutica, Atenção Especializada, com qualidade na assistência e ao encontro das necessidades da população”, destacou. 

Resultados da Planificação da Atenção à Saúde

Para fechar o segundo dia de evento, foi apresentada a Experiência convidada: Planificação da Atenção à saúde em ação: qualificando processos na rede de atenção materno-infantil da região de saúde Nordeste II (GO), por Vilalba Carlos Lima Martins Bezerra. A Experiência convidada: Sinergia entre a APS do futuro e a Planificação: Experiência de Boa Vista para ampliação e qualificação da APS (RR) foi apresentada por Rayssa Triani.

Logo em seguida, Fátima Gonçalves Messias Takahashi apresentou a A intersetorialidade para a qualidade de vida na comunidade quilombola-kalunga de Monte Alegre de Goiás. A Integração entre a Atenção Primária à Saúde e a Atenção Ambulatorial Especializada em um “território líquido”, garantindo o acesso oportuno para gestantes de alto risco no município de Parintins Baixo Amazonas foi a experiência trazida por Patrizia Gonzaga Farias Vasconcelos. Já Rita de Cássia Teixeira Rangel falou sobre o Gerenciamento do cuidado do ambulatório de gestação de alto risco, Agar – Univali, macrorregião de saúde da foz do rio Itajaí (SC).

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