Capacitação sobre coronavírus reúne 160 profissionais de saúde

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizou, na manhã desta terça-feira (10), no auditório do Centur, uma Capacitação Técnica sobre Atenção e Vigilância em Saúde frente à Covid-19, para 160 profissionais de saúde que atuam em estabelecimentos públicos e privados de saúde. O objetivo foi orientar os profissionais na identificação, notificação e manejo oportuno de casos suspeitos de infecção humana pelo vírus SARS-CoV2, visando à redução dos riscos de transmissão no território paraense.

Profissionais de saúde recebem informações sobre a Covid-19

A abertura foi feita pelo diretor de Vigilância em Saúde da Sespa, Amiraldo Pinheiro, que expôs em linhas gerais as principais ações desenvolvidas pelo governo do Estado, começando pela implantação do Comitê Técnico Assessor de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde referentes ao novo Coronavírus (SARS-CoV2) que foi criado para organizar as ações de Vigilância, Prevenção e Controle da Covid-19, e a elaboração do Plano de Contingência Estadual para a Infecção Humana pelo Novo Coronavírus.

Em seguida, a diretora de Epidemiologia da Sespa, Ana Lúcia Ferreira, abordou o tema “Vigilância Epidemiológica no Pará”, ressaltando a importância da notificação imediata do caso suspeito, que deve ser feita à Vigilância Municipal e também sobre a coleta de amostra para análise pelo Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) e Instituto Evandro Chagas. “É muito importante que os hospitais busquem identificar imediatamente os contatos de todos os casos suspeitos”, frisou.

Ana Lúcia Ferreira, diretora de Epidemiologia da Sespa


Análises laboratoriais –
Depois, foi a vez da farmacêutica Ilvanete Almeida, da Seção de Virologia 1, da Divisão de Biologia Médica do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA), falar sobre “Vigilância Laboratorial”. Ela apresentou todas as etapas do processo que deve seguido para a coleta, armazenamento e transporte da amostra de casos suspeitos de Covid-19. “É importante que os critérios epidemiológicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde sejam atendidos e que a amostra seja enviada em tempo hábil para o Lacen-PA”, explicou a farmacêutica.

Ilvanete Almeida, farmacêutica do Lacen-PA

A terceira palestrante foi a médica infectologista e virologista Rita Medeiros, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), que abordou sobre “Patogenia e distribuição da Covid-19”.
Ela fez uma ampla exposição histórica e científica sobre coronavírus (SARS-CoV e MERS-CoV), as características de cada um deles, as formas de contágio, os sinais e sintomas e as epidemias que causaram no mundo até chegar ao SARS-CoV2, causador da Covid-19. “Portanto, os profissionais têm que estar preparados para o que for necessário”, disse a virologista.

Rita Medeiros fez um alerta especial aos profissionais de saúde para que usem corretamente os equipamentos de proteção individual (EPIs). “Até fevereiro, mais de três mil profissionais de saúde foram infectados na China, 1.716 comprovados laboratorialmente e houve cinco óbitos”, informou.

Rita Medeiros, médica infectologista e virologista do HUJBB


Manejo clínico –
A capacitação foi encerrada com apresentação da médica infectologista Irna Carneiro, que expôs sobre “Manifestação clínica, conduta e prevenção”.

Segundo Irna Carneiro, 80% dos casos suspeitos apresentam febre e tosse e 30% falta de ar. Mas há outros sinais e sintomas que podem aparecer tais como dor muscular, dor de cabeça, dor de garganta, diarreia e náusea e até dor abdominal, sendo esse último sintoma considerado atípico.

Baseada em estudos científicos realizados na China, Irna Carneiro disse que ainda não há muitas informações sobre o impacto da doença em grávidas e recém-nascidos. No entanto, na China, não foi observado nada semelhante ao impacto que H1N1 causou no Brasil em 2009. “Porém, o bebê nascido de mãe com Covid-19 deve se colocado em quarentena”, orientou.

Um estudo, segundo Irna Carneiro, com 150 pacientes, apontou que 82 tiveram alta e 68 foram a óbito, sendo que os que foram a óbito tinham entre 66 e 90 anos de idade e parte deles tinha infecção bacteriana secundária. “Isso significa que a taxa de mortalidade é maior entre os idosos”.

Ela também chamou a atenção para haver cuidado maior com pacientes que têm doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas como diabetes, pois a Covid-19 pode causar miocardite. “Por isso, é importante que os profissionais leiam o Protocolo de Manejo Clínico do Ministério da Saúde”, para conhecer mais a fundo a Covid-19 em pacientes com comorbidade.

Por fim, Irna Carneiro apresentou o uso correto de EPIs pelos profissionais de saúde e pacientes e as medidas de prevenção que servem para todos.

Irna Carneiro, médica infetologista do HSM

O evento foi encerrado com momento para perguntas e esclarecimentos de dúvidas aos participantes.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

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