“Conseguimos levar um pouco de conforto às pessoas”, conta enfermeira que participou da Força Nacional do SUS

Maria Sheila Almeida dos Santos, 50 anos, é enfermeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Aracaju, em Sergipe. Convocada pela Força Nacional do Sistema Único da Saúde (FN-SUS) para ajudar os desabrigados das enchentes no Acre, Sheila chegou a enfrentar seis horas de viagem de barco e atender 50 crianças em um só dia.

Em um dos atendimentos, Sheila encontrou uma criança desidratada, próxima a uma aldeia indígena.  A chuva constante impedia o deslocamento da equipe. O atendimento foi feito dentro de uma lancha. “Estávamos no rio, chovia muito e tivemos que fazer hidratação oral durante toda noite. Não tínhamos como removê-la, pois o helicóptero não podia ir até a aldeia naquele horário. O barco também não nos ajudava porque a travessia noturna era perigosa. A lancha balançava muito, mas conseguimos manter essa criança hidratada para salvar sua vida e continuar o atendimento na cidade”, relata.

Sheila foi supervisora de uma das equipes designadas para atender a população de desabrigados. Com um médico e um técnico em enfermagem, visitou seis aldeias em um só dia para atender crianças que apresentavam casos graves de diarreia e infecção respiratória. “Valeu à pena. Todos que viajaram comigo têm a mesma opinião. A experiência foi muito válida. Você vê que seu trabalho pode ajudar o próximo. A gente conseguiu levar um pouco de conforto às pessoas. Isso é gratificante”, completa.

No começo da missão, Sheila fazia o levantamento da situação de saúde das comunidades. A enfermeira participava do reconhecimento aéreo e conversava com secretários de saúde e prefeitos. Foi constatado que a população indígena que vive às margens do Rio Acre apresentava vários problemas de saúde.

Ela passou por regiões como Santa Rosa do Purus, Xapuri, Brasiléia e Boca do Acre. As fortes chuvas deixaram os locais completamente alagados. “Para entrar em algumas localidades, precisávamos de uma canoa. Apareceram até casos de perfuração por pregos, pois como estava tudo alagado, as pessoas andavam sem saber onde estavam pisando”, diz. Alguns índios foram removidos, mas os que não aceitavam eram atendidos onde estavam. Na necessidade de remoções, Sheila tinha que negociar com os caciques para levar os pacientes para outras cidades.

A experiência de Sheila é parte dos esforços da Força Nacional do SUS (FN-SUS), composta por profissionais especializados no atendimento a vítimas de desastres naturais, calamidades públicas ou situações de risco epidemiológico (surtos de leptospirose após enchentes, por exemplo) que exijam uma resposta rápida, apoio logístico e equipamentos de saúde. Coordenada pelo Ministério da Saúde, a Força atua de forma organizada e articulada com o Ministério da Defesa, os Estados e os municípios.

Fonte: Samuel Bessa/ Comunicação Interna e Conteúdo Web

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