Departamento apresenta experiência de cooperação internacional em encontro de comunicação

Brasil e Botsuana, na África, têm muitos desafios em comum no enfrentamento ao HIV/aids e as experiências exitosas em comunicação de um e de outro podem ser adaptadas à realidade local para a promoção da resposta à epidemia. Foi essa a conclusão de uma oficina de troca de conhecimento em comunicação entre os dois países. Agora, a capacitação realizada no primeiro semestre deste ano no país africano foi selecionada para fazer parte dos relatos do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação. O evento, que ocorre de 25 a 27 de outubro, em São Paulo, reúne trabalhos que despontam como interface da Comunicação e Educação, principalmente aqueles com propostas de uso de recursos tecnológicos modernos e técnicas da comunicação na aprendizagem através de meios de mídia.

A apresentação “Botsuana: Educomunicação para a mudança de comportamento em HIV/Aids” será feita pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde na sexta-feira (26), dentro do painel “Educomunicação e Saúde”. A exposição mostrará como a atividade desenvolvida em Gaborone, capital de Botsuana, permitiu a gestores e representantes de organizações da sociedade civil ampliarem o uso de comunicação em saúde.

No país africano – famoso pelas minas de diamantes e por manter reservas para a preservação de elefantes – dois técnicos do Departamento coordenaram oficina e utilizaram a comunicação via internet para promover a participação no debate. Direto da periferia de Salvador, na Bahia, o jovem Enderson Araújo falou com os africanos sobre experiências de como leva informação a populações de baixa renda do bairro onde mora. Enderson, que atua com comunicação comunitária nas redes sociais por meio do blog Mídia Periférica, deu exemplo das estratégias que usa para chamar a atenção da mídia tradicional para os problemas locais.

De Fortaleza, no Ceará, o professor Augusto Martins participou da oficina por meio de videoconferência. Ele apresentou um passo a passo de como interage com a comunidade escolar para promover prevenção à aids usando o computador no interior do estado. Augusto coordena um grupo de jovens da região responsável pela difusão de assuntos de saúde por meio da Web Rádio Ajir.

Do outro lado, no continente africano, os participantes da oficina surpreenderam os brasileiros com suas contribuições para a prevenção ao HIV em partidas de futebol. Apresentaram a Enderson e Augusto, durante o bate-papo virtual, experiências locais de como Botsuana faz testes de aids em jogos.

Durante a elaboração de um plano de prevenção à aids voltado a caminhoneiros em Botsuana, os técnicos do Brasil presentes na oficina sugeriram a busca de parceiros que ajudassem na adesão dos motoristas à estratégia. Empenhados em promover mudanças na categoria, os participantes do evento propuseram visita a profissionais do sexo na periferia de Gaborone. São essas mulheres, que moram na área onde se hospedam os motoristas de diversos países da África em trânsito pela capital de Botsuana, que têm maior contato com os caminhoneiros.

A parceria pode beneficiar, inclusive, as próprias profissionais do sexo, pois a rotatividade de parceiros e o sexo desprotegido (sem camisinha) deixam a população local vulnerável à aids. “Elas conhecem melhor os caminhoneiros e vão poder nos ajudar a construir uma campanha que consiga sensibilizá-los para o uso da camisinha”, observa a coordenadora do encontro, Elizabeth Koko, que trabalha no Departamento de Prevenção e Cuidado ao HIV/Aids do Ministério da Saúde de Botsuana.

Atenta à forma como brasileiros e africanos conduziram o diálogo dos integrantes da oficina com as profissionais do sexo para envolvê-las na construção de mensagens para os caminhoneiros, a diretora do Departamento de Prevenção e Cuidado ao HIV/Aids do Ministério da Saúde de Botsuana, Refeletswe Lebelonyane, ressaltou que não havia pensado em comunicação entre pares e que as profissionais do sexo poderiam ajudar o Ministério de Botsuana a elaborar uma ação para os caminhoneiros. “Foi preciso vocês (brasileiros) virem ao meu país para eu visitar essas mulheres onde elas moram, sentar com elas e, pela primeira vez, tratar da saúde delas e dos caminhoneiros”, observa.

A atuação conjunta de Brasil e Botsuana em HIV/aids faz parte de um modelo de cooperação internacional que rompe com a prática tradicional, assistencialista e unilateral. Denominada como Cooperação Sul-Sul, a iniciativa de países em desenvolvimento prioriza programas e parcerias que deixem um legado de qualificação e de transferência de tecnologia, além de compartilhar lições em relação à saúde.

Foto: Ministério da Saúde

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

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