Estudo aponta aumento de obesidade em pacientes com HIV

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco e do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz Pernambuco) investigaram a prevalência de magreza, sobrepeso e obesidade em 2.018 indivíduos com HIV/Aids atendidos em serviços de referência no combate a enfermidade do Recife. O estudo apontou que 8,8% dos consultados eram considerados magros, segundo o índice de massa corporal da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas que 32,1% apresentavam peso acima do normal. “No início da epidemia, antes do advento da terapia antirretroviral (Haart), havia uma grande prevalência de magreza em pacientes com HIV/Aids” comentam os pesquisadores em artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz. “Hoje, estamos assistindo a um afastamento desse padrão, com o aumento da frequência de sobrepeso e obesidade”.

Os estudiosos explicam que essa mudança pode estar relacionada tanto ao fato de a doença agora ser considerada crônica (e não mais terminal, o que aumenta a probabilidade de comorbidades), quanto à reação ao preconceito. “O fato de a síndrome da emaciação [perda involuntária de peso] ser tão fortemente ligada a Aids pode ter levado indivíduos com HIV a adotar dietas de alto teor de calórico e evitar esforço físico como uma reação ao estigma associado a perda de peso”, afirmam os pesquisadores.

A pesquisa também indicou que ter companheiro fixo, tabagismo, histórico recente de doença oportunista, anemia e níveis de albumina menores que 3,5mg/dL foram fatores associados a magreza. No entanto, idade acima de 40 anos e diabetes foram os fatores mais relacionados a sobrepeso e a obesidade. “Na chamada era Haart, a diabetes é encontrada com maior frequência entre pacientes com HIV”, destacam os estudiosos. “Enquanto a proporção de sobrepeso/obesidade está aumentando na população soropositiva, a incidência e prevalência de diabetes também tende a elevar, acarretando em um ciclo vicioso: diabéticos ganham peso e aqueles que ganham peso tendem a ter diabetes”.

Segundo os pesquisadores, indivíduos mais velhos e com diabetes devem se tornar alvos de intervenções nutricionais e de estilo de vida adequados. “Os resultados mostram a importância de incorporar nutricionistas na rotina dos serviços de referência como uma maneira de prover um cuidado mais abrangente a indivíduos com HIV/Aids”, destacam os estudiosos. “Isso tornará possível a implementação de ações preventivas e de adequado monitoramento do estado nutricional de pacientes, não só pelo índice de massa corporal, mas também por dados antropométricos, bioquímicos, clínicos e fatores dietéticos”.

Fonte: Fiocruz

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