Laboratório da Sesa é reconhecido em estudo de vetores e doenças

A saúde pública no Ceará dispõe de uma das melhores unidades laboratoriais de entomologia (estudo de insetos) médica do país. O reconhecimento é do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, Ademir Martins, que realiza estudos sobre os efeitos da resistência a inseticidas no mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. No último dia 22, o pesquisador visitou o Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Dr. Thomaz Aragão, do Núcleo de Controle de Vetores (Nuvet), vinculado à Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covig), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). “Fiquei muito contente de ver um serviço muito funcional e bastante organizado”, disse.

Ademir Martins destacou ações importantes de qualidade, biossegurança e infraestrutura organizacional e física do laboratório. “De verdade, funciona muito bem”, reforçou. Essa foi a segunda visita da Fiocruz que o laboratório de entomologia da Sesa recebeu em menos de três meses. A anterior ocorreu em agosto, com pesquisadores da Fiocruz de Minas Gerais. Na terça-feira, 27, o secretário da Saúde do Ceará, Henrique Javi, esteve no laboratório, acompanhado da coordenadora da Vigilância em Saúde, Daniele Queiroz, e da supervisora do Nuvet, Roberta de Paula.

“O principal papel do laboratório mantido pelo Núcleo de Vetores do Estado do Ceará é justamente perceber a dimensão invisível de um SUS que promove, um SUS que pesquisa, que trabalha silenciosamente pelo cidadão, garantindo a prevenção”, ressaltou Javi. Ele destacou o armazenamento do material de mais de quatro décadas sobre vetores no Ceará, além de o laboratório também dispor da evolução no processo de enfrentamento às doenças transmitidas por eles. “É relevante demais destacar os profissionais e os resultados que eles apresentam de uma forma discreta, mas valiosa para todo mundo”, declarou.

A equipe do laboratório de entomologia realiza a investigação básica da biologia e distribuição dos vetores para dar suporte aos programas do Nuvet e avaliar o impacto das ações de controle das doenças. De acordo com planejamento mensal, realiza cotidianamente a captura e análise laboratorial de vetores nas regiões e municípios, segundo o perfil epidemiológico e as tendências de cada agravo.

Doenças transmitidas

As doenças transmitidas por vetores, como malária, dengue, esquistossomose, tripanossomíase africana, leishmaniose, doença de Chagas, febre amarela, encefalite japonesa (infecção que causa endema cerebral grave) e oncocercose (infestação verminosa na pele e infecção ocular), são responsáveis por mais de 17% de todas as doenças infecciosas em todo o mundo. E essa distribuição é determinada por um complexo dinâmico de fatores ambientais e sociais.

“O laboratório de entomologia e as atividades de entomologia desenvolvidas no Núcleo de Controles de Vetores da Secretaria da Saúde do Estado têm proporcionado grandes parcerias com universidades, com a Fiocruz, tanto de Minas Gerais como do Rio de Janeiro. Há importância do trabalho de entomologia na prevenção e no controle de agravos como dengue, zika, chikungunya, leishmaniose, doença de Chagas e tantas outras que acometem a nossa população tem sido reconhecida tanto pelas instituições quanto pela própria secretaria”, afirmou Roberta de Paula.

O objetivo do laboratório da Sesa é promover a educação em saúde através de estudos de métodos para controle dos vetores, operacionalizando as ações de campo junto aos municípios cearenses, com o intuito de recomendar medidas de prevenção e controle dos riscos biológicos. Dentre as ações realizadas, destacam-se os levantamentos entomológicos para verificação da ocorrência, distribuição espaço-temporal e densidade de insetos de interesse da saúde pública como o Aedes aegypti, anofelinos (vetor da malária), triatomíneos (vetor da doença de Chagas) e flebotomíneos (vetor das Leishmanioses), para subsidiar os programas de controle de doenças transmitidas por vetores no Estado.

“Só no aspecto das arboviroses, eles trabalham lá a observação de todo o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, a relação dele com o meio, a relação dele com os mecanismos de combate, inseticidas, larvicidas. Todos esses processos são acompanhados e garantidos através desse monitoramento. Então, a Fiocruz, ao reconhecer esse trabalho, também está destacando que o Ceará é um dos poucos estados que mantém uma estrutura desse tamanho para garantir muito além do que simplesmente fazer assistência em saúde, que é o papel da promoção e prevenção”, explicou o secretário Henrique Javi.

O laboratório tem dois biólogos e 11 técnicos. Realiza a formação de técnicos em atividades de identificação e outras práticas laboratoriais e de campo, com estágios destinados principalmente às instituições de pesquisa estaduais e secretarias municipais, além de informar e orientar a comunidade, escolas, órgãos públicos e outras instituições sobre os insetos vetores de doenças, através de demanda passiva, em parceria com os Grupos Técnicos de vigilância e controle dos agravos de transmissão vetorial gerenciadas pelo Nuvet. O laboratório recebe cerca de 50 visitantes por mês.

A estudante do terceiro semestre de medicina veterinária Camila de Pádua elogiou o trabalho feito no local. “Achei muito legal a experiência de conhecer (o laboratório), saber quais são as regionais, onde os mosquitos estão presentes, como as doenças são evitadas. A parte dos moluscos a gente não tinha visto ainda”, destacou.

O Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Dr. Thomaz Aragão recebe visitas agendadas de estudantes, universitários, técnicos e pesquisadores. As visitas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas, e podem ser agendadas pelo telefone (85) 3101-5116.

Serviço

Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Dr. Thomaz Aragão
Rua dos Tabajaras, 268, Praia de Iracema, Fortaleza

Agendamento de visitas com o Núcleo de Valorização, Negociação e Educação do Trabalho: (85) 3101-5116

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