Saúde debate implantação dos testes rápidos de sífilis em gestantes

O Ministério da Saúde apresentou nesta quarta-feira (03), durante videoconferência com as secretarias estaduais de Saúde de todo o País, as ações da estratégia Rede Cegonha e de combate à mortalidade materna. Cada estado relatou as principais propostas e os resultados já obtidos em sua região. O principal tema do debate foi a implantação na Atenção Básica do teste rápido de sífilis congênita nas gestantes – doença transmitida da mãe para o bebê.

Segundo dados epidemiológicos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, em cada mil nascimentos são diagnosticados cinco casos de transmissão vertical de sífilis. Por isso, até dezembro deste ano, o ministério irá distribuir 340 mil testes rápidos de sífilis nos estados. A meta faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que deve ser cumprida até 2015. “A implantação dos testes rápidos vai facilitar o diagnóstico precoce de sífilis e ampliar o tratamento das gestantes. Por essa razão, é importante fazer o teste durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo, tratar corretamente para evitar a transmissão da doença”, ressaltou o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que a mobilização dos estados e municípios para tratar o quanto antes a sífilis é fundamental para evitar a transmissão da mãe para o bebê. “O objetivo do teste rápido é justamente agilizar o tratamento da gestante. Mesmo antes da confirmação da doença, o tratamento com penicilina deve ser iniciado imediatamente. Esta é a recomendação”, afirmou. Padilha parabenizou a equipe de saúde do Ceará, por ter sido o estado que mais reduziu a mortalidade materna no país em 2011. “Mesmo com o ótimo resultado, vocês continuam preocupados com o assunto, buscando excelência no diagnóstico e no tratamento das nossas gestantes”, ressaltou.

O secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães, disse que é necessário que todos os estados apresentem um plano de erradicação da sífilis até o final do ano. “O comprometimento dos estados, por meio das videoconferências, sistemas de monitoramento dos apoiadores e a apresentação de um plano estratégico vai nos permitir monitorar e, fundamentalmente, apoiar os estados com maior fragilidade”, destacou o secretário.

Sífilis congênita – É a transmissão da doença de mãe para filho. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto, aborto ou morte do bebê, quando ele nasce gravemente doente. Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal, porque quando o resultado for positivo é preciso tratar corretamente a mulher e seu parceiro. Só assim se consegue evitar a transmissão da doença.

A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.

O diagnóstico se dá por meio do exame de sangue e deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez. O recomendado é refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto. O maior problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão descobrir a doença após o exame.

Quando a sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros também precisam fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção da mulher. No caso das gestantes, é muito importante que o tratamento seja feito com a penicilina, pois é o único medicamento capaz de tratar a mãe e o bebê. Com qualquer outro remédio, o bebê não estará sendo tratado. Se ele tiver sífilis congênita, necessita ficar internado para tratamento por 10 dias. O parceiro também deverá receber tratamento para evitar a reinfecção da gestante e a internação do bebê.

Todos os bebês devem realizar exame para sífilis independentemente dos exames da mãe. Os bebês que tiverem suspeita de sífilis congênita precisam fazer uma série de exames antes de receber alta.

Rede Cegonha – O Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 3,3 bilhões na Rede Cegonha e já conta com a adesão de 4.729 municípios brasileiros. O programa reúne medidas que garantem assistência integral às grávidas, ao bebê e à criança até os dois anos de idade e já criou 348 leitos neonatais e requalificou mais 86 em 2011. A previsão é habilitar outros 350 novos leitos neonatal ainda este ano. Atualmente, o Brasil conta com 3.973 de UTI Neonatal e 2.249 leitos de UTI Pediátrico.

Gabriella Vieira/ Blog da Saúde

Foto: Luís Oliveira/ Ascom

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