Seminário celebra os 30 anos das Práticas Integrativas em Saúde no DF

Evento homenageou os servidores pioneiros na iniciativa

Os 30 anos de Práticas Integrativas na Secretaria de Saúde do Distrito Federal foram celebrados, nesta quarta-feira (20), durante a abertura do I Seminário de Gestão de Práticas Integrativas em Saúde. O evento reuniu servidores, gestores e parceiros institucionais na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Eles participaram de uma roda de dança combinada com automassagem e das homenagens aos que iniciaram as práticas no DF.

“Hoje, o sistema de saúde local usufrui dos benefícios das 17 Práticas Integrativas em Saúde (PIS) já disponíveis na rede pública, que promovem a saúde em todos os seus níveis. Congratulo todas as pessoas que se esforçaram para esta conquista, e também as que estão dinamizando as práticas atualmente”, agradeceu a médica Maria Aparecida Costa, pioneira na gestão em PIS no DF e uma das homenageadas.

Ao todo, seis profissionais de saúde foram lembrados por suas ações. Dois dos facilitadores, que são negros, receberam um destaque pelo Dia da Consciência Negra, celebrado hoje. Todos contribuíram para difundir as práticas integrativas, ao longo desses 30 anos. Entre elas, a da Farmácia Viva e das PIS nas escolas, ambas com benefícios comprovados à população, como a redução nos casos de automutilação e as tentativas de autoextermínio.

O reconhecimento aos servidores que propagam as práticas, na rede, é uma etapa importante nessas três décadas de PIS no DF, argumenta a subsecretária substituta de Atenção Integral à Saúde, Eliene Vieira.

“É notória a qualidade e o envolvimento dos nossos servidores, no que diz respeito às práticas integrativas. Esse evento coroa os 30 anos da política das PIS no DF e reforça o reconhecimento de todos os envolvidos”, afirmou a gestora, que representou o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto.

DEBATES – Na ocasião, Eliene Vieira destacou que o evento também é uma oportunidade para se debater propostas efetivas sobre as PIS, para a gestão implementar no sistema. “Espero que o seminário fomente isso e colabore com as decisões de gestão, para avançarmos no reconhecimento da eficácia e dos benefícios trazidos pelas práticas”, ressaltou.

A importância da iniciativa foi reforçada pelo coordenador nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde do Ministério da Saúde, Daniel Amado: “Os avanços científicos dos últimos anos têm apontado que as PIS, integradas aos serviços de saúde, podem ampliar a resolutividade do cuidado e reduzir os custos do sistema. É uma solução viável para problemas de saúde”.

Para a representante da Opas no Brasil, Socorro Gross, celebrar os 30 anos de PIS no DF é reconhecer a constante luta para integrar as práticas na rede pública de saúde. “Parabenizo o Distrito Federal pelo pioneirismo”, elogiou.

INÍCIO – As Práticas Integrativas em Saúde foram introduzidas, formalmente, na Secretaria de Saúde do DF em 1989, com a criação do Programa de Desenvolvimento das Terapias não Convencionais, institucionalizando, no Sistema Único de Saúde (SUS) do DF, os atendimentos em PIS.

Em 2014, foi instituída a Política Distrital de Práticas Integrativas em Saúde (PDPIS) no Distrito Federal, elaborada por técnicos da Gerência de Práticas Integrativas em Saúde (Gerpis) da Secretaria de Saúde e que regulamenta as práticas.

A importância de se avançar de um programa para uma política foi um ponto lembrado pelo representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Jurandir Frutuoso. “Transformar um no outro não é uma tarefa fácil. Exige persistência, compromisso e acreditar que é necessário. Esse passo deve ser dado com muita convicção”, comentou. “E o Distrito Federal pode influenciar os outros estados do Brasil a fazer a mesma coisa”, ressaltou.

RECURSOS TERAPÊUTICOS – As PIS são tecnologias eficazes, seguras e de baixo custo, que abordam a saúde na sua multidimensionalidade – física, mental, emocional e espiritual. Estão inseridas nas unidades como recursos terapêuticos, nos planos de tratamento dos usuários e utilizadas como eficientes estratégias de prevenção e promoção da saúde, especialmente do autocuidado.

Entre os benefícios levados à população, é possível citar a redução dos encaminhamentos aos níveis mais complexos de atenção; diminuição da necessidade de uso de medicação; queda no foco excessivo da atenção em saúde sobre médicos, enfermeiros e especialistas, reduzindo a sobrecarga nessas categorias profissionais e valorizando as demais.

Atualmente, a Secretaria de Saúde oferece: acupuntura, antroposofia, arteterapia, automassagem, fitoterapia e plantas medicinais, hatha yoga, homeopatia, lian gong, meditação, musicoterapia, reiki, shantala, tai chi chuan, terapia comunitária Integrativa, ayurveda, laya yoga e técnica de redução de estresse (TER). Essas três últimas foram incluídas neste ano.

No DF, as PIS estão presentes em 118 unidades básicas de saúde (UBS), das 172 existentes, o que representa uma cobertura de 69%. Também são executadas em 96 das 102 Gerências de Serviços de Atenção Primária à Saúde (Gpas), ou seja, uma cobertura de 94%. São oferecidas ainda nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), policlínicas, ambulatórios e hospitais.

Leandro Cipriano, da Agência Saúde
Fotos: Breno Esaki/Saúde-DF

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