Série de debates sobre regionalização da saúde servirá de base para plano estadual

amsesSérie de debates sobre descentralização dos serviços de saúde promovida pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) vai ajudar na elaboração de um plano diretor de regionalização para o Estado do Amazonas. A discussão é promovida pelo Departamento de Planejamento e Gestão da Susam (Deplan) em parceria com o Hospital do Coração (HCor). A 2ª Oficina de Retomada do Processo de Regionalização da Saúde no Amazonas: Repensando a Saúde no Território II foi realizado nos dias 3 e 4.

“Formamos um grupo que vai debater em cima de todo esse material que está sendo produzido nas oficinas. Vamos começar a escrever essas contribuições e ver de que forma isso poderá subsidiar a construção de um plano diretor de regionalização”, explica a chefe do Deplan/Susam, Radija Lopes.

Radija afirma que a ideia é que o plano contemple todos os olhares, principalmente daqueles que realmente conhecem as peculiaridades dos diferentes territórios do Estado.

“O objetivo é ir construindo um planejamento de forma coletiva. Contemplando os vários olhares, as diversidades regionais. E que no futuro possamos ter um norte, um direcionamento, inclusive para os investimentos na saúde, de uma forma mais colaborativa”, afirmou a chefe do Deplan/Susam.

O médico e pesquisador do HCor, César Roberto Braga Macedo, diz que a reunião de diferentes saberes ajudará a construir um planejamento mais próximo da realidade, um passo importante diante do grande desafio que é levar assistência à saúde qualificada às regiões mais distantes do Amazonas.

“Todo esse conjunto de informações é reunido dentro de um processo de planejamento que é complexo, que nos impõe um conjunto de dificuldades. Mas que nos aponta possibilidades de construir soluções mais consistentes, que têm uma expressão muito mais aproximada da realidade e dos desafios que essa realidade impõe aos órgãos públicos, ao Estado brasileiro, à sociedade, no sentido de tratar todos os cidadãos de uma forma mais igualitária”, comentou César.

Durante o debate sobre regionalização, o secretário estadual de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jorge do Nascimento Júnior, afirmou que a municipalização da saúde é parte do caminho para melhorar a prestação dos serviços no setor.

“A municipalização da saúde é importante. Manaus ter a gestão sobre a saúde dos municípios mais distantes é um negócio bem complexo. A gente entende que municipalizar torna o sistema muito mais ágil, com as problemáticas daquele local sendo enfrentadas imediatamente, sem intermediários, dando agilidade aos serviços”, defendeu Jorge Júnior, que foi um dos palestrantes da oficina.

Jorge Junior ressaltou, no entanto, que a melhoria dos serviços de saúde, como em qualquer outra área, passa pelo fortalecimento da economia. O secretário elogiou a iniciativa da Susam em promover o debate, e colocou a pasta à disposição dos atores envolvidos no planejamento do processo de regionalização da saúde no Amazonas.

Responsável por coordenar os processos de organização do sistema de saúde no território estadual, a Susam vem promovendo debates com profissionais e órgãos de diferentes esferas com o objetivo de conhecer e compartilhar experiências que possam ajudar nos projetos de regionalização dos serviços de saúde.

A pesquisadora e representante da Fundação Oswaldo Crus (Fiocruz), Michele Rocha, destacou a importância de se discutir nas oficinas temas como a fixação de recursos humanos em saúde no interior.

“A gente finalizou uma pesquisa feita em parceria entre a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e o Ministério da Saúde sobre provimento e fixação de profissionais no interior no Estado do Amazonas. Muitas das coisas que apareceram aqui (na oficina), de fato, se revelaram nessa pesquisa. Uma delas é a questão de dificuldade de fixação de profissional, médico em especial”, comentou Michele.

Segundo a pesquisadora da Fiocruz, a dificuldade dos profissionais em continuar estudando é apontada como um dos principais motivos da migração de médicos do interior para os grandes centros urbanos.

“Esse é um ponto muito sensível que é preciso pensar transversalmente como uma política de saúde. A política de educação permanente deve ser uma política de saúde também, como uma forma de manter os profissionais no interior”, sustenta Michele.

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Secretaria de Estado da Saúde – SUSAM

Assessoria de Comunicação

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