Equipes que atuam com saúde indígena se reúnem para aprimorar e fortalecer ambulatórios no RS

O encontro buscou qualificar a implementação dos serviços, aproximando técnicos e gestores e promovendo a troca de experiências

A Secretaria da (SES), por meio da área técnica de Saúde Indígena do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde, promoveu, na terça-feira (12/5), um encontro com representantes dos quatro ambulatórios de saúde indígena (ASI) financiados pelo Estado por meio do Programa Assistir.

A reunião, realizada em Passo Fundo, reuniu gestores e equipes dos serviços habilitados no Hospital São Vicente de Paulo (Passo Fundo), no Hospital Santo Antônio (Tenente Portela), no Hospital Ahcros (Constantina) e no Hospital Comunitário de Nonoai, além de representantes das coordenadorias regionais de saúde (6ª, 11ª e 15ª).

O encontro buscou qualificar a implementação dos ambulatórios nos territórios regionais, aproximando as equipes e promovendo a troca de experiências diante dos desafios comuns. Ao longo do dia, foram debatidos temas como fluxos internos de atendimento, articulação com a rede de atenção à saúde indígena, acolhimento, ações coletivas e estratégias de monitoramento.

Também foram apresentados aspectos estruturais dos serviços, implantados por meio do Programa Assistir, que garante incentivo mensal de R$ 70 mil a cada ambulatório para a contratação de equipes especializadas no atendimento à população indígena pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o sanitarista da SES, Guilherme Müller, que coordenou a reunião, a iniciativa foi fundamental para fortalecer o diálogo entre os serviços e alinhar práticas. “A implantação dos ASIs representa um novo desafio para o Estado, ao exigir, dentro da atenção especializada, a construção de um modelo de cuidado que respeite as especificidades culturais dos povos indígenas, incluindo aspectos como adesão ao tratamento, valorização do protagonismo dos pacientes, adequação de dietas e integração de práticas tradicionais”, explicou.

Ambulatórios de Saúde Indígena

Os ASIs são espaços de cuidado integral e intercultural, articulando a medicina com os saberes tradicionais, respeitando a cultura, a espiritualidade e as especificidades dos povos indígenas. Disponibilizam atendimento de média e alta complexidade, coordenando o cuidado desde o primeiro acolhimento até diagnósticos, tratamentos e encaminhamentos para consultas especializadas.

As equipes são multiprofissionais e contam com intérpretes e profissionais que têm experiência no contexto intercultural, além de possibilitar, quando necessário, a presença de lideranças e curadores tradicionais nos ambientes hospitalares.

A inciativa tem importância estratégia em face do perfil demográfico indígena no Estado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Rio Grande do Sul possui cerca de 38 mil indígenas autodeclarados, sendo aproximadamente 26 mil vivendo em aldeias ou acampamentos distribuídos em 73 municípios.

A SES projeta a ampliação da rede, com a implantação de outros dois ambulatórios até 2027. A expansão prevê parcerias com universidades, consolidando os serviços também como espaços de formação e pesquisa, além de qualificar ainda mais a assistência prestada.

Com a consolidação dos ASIs, o Estado avança na garantia de acesso equânime e culturalmente adequado à saúde indígena, fortalecendo uma política pública que integra cuidado especializado, respeito à diversidade e promoção da equidade no SUS.