Ceará forma primeira turma do Nordeste de especialistas em enfrentamento à violência contra a mulher

Ao todo, novos 29 profissionais foram diplomados por meio do Curso de Especialização em Estratégias de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE)

O estado do Ceará passou a contar com o reforço dos primeiros especialistas do Nordeste em estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher. A solenidade, realizada na sexta-feira (19) na Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), vinculada à Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), diplomou novos 29 profissionais por meio do Curso de Especialização em Estratégias de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

Uma das concludentes foi a assistente social Geórgia de Sousa. Ela conta que a formação possibilitou para ela e os colegas de turma uma projeção tanto no campo acadêmico quanto nas suas áreas profissionais. “Tenho muito orgulho de ter feito parte disso. O curso não é só um título. Isso é para a vida toda. É uma mudança de postura, de conhecimento, de atitude que a gente adquire”, relata, ressaltando que a expectativa agora é de ajudar o maior número possível de mulheres. “Porque essa é uma questão de saúde pública”, ensina.

A fala de Geórgia foi reforçada pelo superintendente da ESP/CE, Marcelo Alcantara, que destacou a responsabilidade que esses profissionais têm com a causa do enfrentamento à violência de gênero: “Temos uma responsabilidade de avançarmos neste tema. Vocês agora, como especialistas, irão assumir uma nova missão na vida. E serão os grandes estrategistas nesse processo. E a gente espera aprender muito com vocês”.

Todos os profissionais certificados pelo curso já estão atuando no acolhimento de mulheres em situação de violência e trabalhando para a eliminação, diminuição e prevenção desse problema no Ceará. É o caso do advogado Diego dos Santos. Único homem da turma, ele fala sobre a sua atuação no campo da proteção em rede às mulheres em situação de violência no município de Acaraú. “Tive uma abrangência de visão bem maior com esse arcabouço teórico que o curso me trouxe e que consequentemente me proporcionou ter uma compreensão mais ampla e crítica em relação à nossa própria atuação no poder Judiciário, enquanto instituição também de proteção à violência contra a mulher”, afirma.


Geórgia de Sousa (à esquerda) e Diego dos Santos (à direita) já atuam no campo do enfrentamento à violência contra a mulher no Cea

A ideia de uma vivência prática nesse campo de atuação também foi pontuada pela coordenadora do curso, Lígia Lucena. “Muito do que vocês passaram a perceber e fomentar no decorrer da formação é o que vocês trarão para a gente, dessa experiência que vocês vivenciam nos serviços em que atuam”, reforça.

Além da homenagem aos recém-formados especialistas, a solenidade marcou o lançamento do livro Violência contra a Mulher e Pandemia: desafios e estratégias no enfrentamento. A cerimônia de encerramento do curso contou, ainda, com a participação da diretora de pós-graduação em Saúde da ESP/CE, Olívia Bessa; da supervisora do Núcleo e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Defensoria Pública do Estado do Ceará, Jeritza Braga Lopes; da coordenadora da Rede Estadual de Atenção às Mulheres, Adolescentes e Crianças em Situação de Violência da Sesa, Marley Martins; da representante da Casa da Mulher Brasileira, Mayara Viana da Silva; e da presidente da Casa Lilás, Maria de Lourdes Góes.

O curso

Lançado pelo Centro de Educação Permanente em Vigilância da Saúde (Cevig) da ESP/CE em agosto de 2019, a iniciativa busca formar profissionais de diferentes áreas – como Saúde, Educação, Assistência Social ou Direito –, inseridos nos processos de trabalhos implicados e envolvidos no enfrentamento à violência contra a mulher. A ideia é possibilitar o desenvolvimento de competências políticas e normativas para o gerenciamento e a operacionalização de ações relacionadas ao acolhimento de mulheres em situação de violência, à eliminação, diminuição e prevenção da violência contra essa população.

Organizado em uma estrutura modular composta por unidades didáticas de aprendizagem, a formação tem carga horária de 460 horas. Desse total, 360 horas destinam-se às atividades teórico-práticas desenvolvidas de forma presencial e de ensino à distância (EaD). Outras cem horas são destinadas às atividades de elaboração individual do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Ainda não há previsão do início de uma nova turma.

Maria da Penha fala para a turma de Especialização em Estratégias de Enfrentamento à Violência contra a Mulher

Fonte: SES/CE

<-Voltar