Dengue e outras arboviroses acentuam os desafios dos gestores em plena pandemia

A Assembleia do Conass ocorrida na tarde de quarta-feira (24) foi marcada pela apresentação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas): Situação atual da Covid-19 e o comportamento esperado da dengue: alerta para uma sobreposição anunciada, pela Dra. Ho Yeh Li, consultora da Opas. A representante da Opas no Brasil, Socorro Gross, também participou da reunião com os gestores estaduais de saúde e destacou a expectativa em relação ao impacto positivo da vacina na segunda onda da Covid-19.

O alerta trata da necessidade de um fluxo inicial que auxilie os profissionais que atuam na ponta do atendimento, para que estejam aptos a identificar e encaminhar corretamente os diagnósticos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), Covid-19 e arboviroses (Dengue, Zika Vírus e Chikungunya), considerando a similaridade clínica e os tratamentos distintos que podem causar sérios danos se forem aplicados de maneira equivocada.

Segundo Socorro Gross, é imprescindível a articulação entre os entes gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), pois nos meses de março, abril e maio serão maiores os números de casos de SARS, Covid-19 e arboviroses, reforçando necessidade de mais leitos. “São doenças com tratamentos específicos. A dengue precisa de hidratação rápida, o que pode levar a óbito um paciente com Covid-19. O paciente com dengue, por sua vez, não pode receber tratamento anticoagulante, usado para a Covid-19”, exemplificou.

Por isso, de acordo com a apresentação da Dra. Ho Yeh Li, deve haver um fluxograma que auxilie o médico a identificar e pedir os exames corretos em atenção à sobreposição de doenças no período sazonal e de como identificar e tratar a doença no período inicial.

O secretário de Saúde do Espírito Santo, Nesio Fernandes, ressaltou que o SUS precisa se preparar para o pior cenário com financiamento e planos de contingência adequados, considerando a curva de SRAG e os novos agentes e variações de cepa da Covid-19. Para o secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, o momento é de reunir esforços para alinhar e colocar em prática uma estratégia que dê conta deste desafio.

A capacitação dos profissionais para o manejo de casos se faz urgente, segundo o secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Cipriano Maia. “É urgente retomar o contato com a Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde para que as ações de controle das arboviroses sejam potencializadas e para que as Secretarias Estaduais de Saúde apoiem os municípios com informações e recursos para intensificar as ações em função da sazonalidade, com campanhas nacionais de comunicação em massa para mostrar os esforços para enfrentar a covid e arboviroses”, enfatizou.

Neste sentido, a aplicação de testes rápidos disponíveis para a rede assistencial é fundamental, assim como a conduta que compromete a assistência a seguir, conforme pontua a Dra. Ho Yeh Li. “Ano passado o mundo inteiro voltou atenção para a Covid-19 e as estratégias de controle de vetores deixou de acontecer, inclusive, medidas paralelas que atenda e prepare a assistência para os casos que vão ocorrer”, alertou.

 

Vacinação contra COVID-19 no Brasil

O assessor técnico do Conass, Nereu Henrique Mansano , apresentou a situação da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, como a recomendação da manutenção da reserva da segunda dose da vacina Coronavac, do Instituto Butantan, e destacou que a vacinação deve ser reforçada com a organização dos serviços, as ações de prevenção e o distanciamento social. “Devemos trabalhar duro para agilizar a vacina e evitar o colapso, mas reconhecer que em curto prazo as vacinas não vão conter rapidamente os surtos e considerar ainda o tempo de resposta imune e o tempo da logística de remessa, distribuição e aplicação das vacinas”, pontuou.

 

Habilitação e financiamento dos leitos de UTI/COVID19

Também foi apresentada durante a Assembleia a proposta do Ministério da Saúde para habilitação de leitos de UTI para a Covid-19. Por meio de portaria, o ministério pretende autorizar, em caráter excepcional e temporário, a habilitação dos leitos, sendo automático o repasse relativo aos meses de janeiro e fevereiro, em parcela única para as solicitações já aprovadas. E a partir do início de abril, o repasse seria junto com o pagamento do teto MAC, para os leitos submetidos à autorização. A proposta também prevê o pagamento do valor cheio da diária e o fim dos processos de renovação com autorizações que vão perdurar durante a pandemia. Para aprovação de novos leitos, serão considerados os planos de contingência e a situação epidemiológica.

A proposta busca diminuir a burocracia para o custeio dos leitos, com aprovação permanente e os pagamentos retroativos de janeiro e fevereiro e os demais provavelmente na primeira semana de abril.

Leia matéria do Ministério da Saúde que detalha a autorização de leitos para Covid-19: Ministério da Saúde simplifica regras para autorização de leitos de UTI para pacientes de Covid-19 – Novas diretrizes, pactuadas com gestores municipais e estaduais garantem maior cerelidade no processo de abertura de leitos

Ascom Conass

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