Voltado para gestores e referências técnicas estaduais, o evento utiliza uma metodologia participativa, focada na troca de experiências, análise da realidade local e definição de encaminhamentos estratégicos para superar a fragmentação do cuidado. O guia está estruturado em quatro módulos temáticos principais:

O Módulo 1 aborda o papel dos pontos de atenção na RPCC, com ênfase na Atenção Primária à Saúde (APS) como coordenadora do cuidado. São discutidos temas essenciais como a integração entre vigilância em saúde e assistência (abrangendo o rastreamento e o monitoramento da cobertura vacinal contra HPV e Hepatite B), o fluxo de pacientes com alta suspeição de câncer, o compartilhamento de responsabilidades com a Atenção Especializada e os serviços de Alta Complexidade (Cacon e Unacon), além da importância fundamental de ofertar Cuidados Paliativos em todos os níveis de atenção.

O Módulo 2 concentra-se no planejamento regional e na governança da RPCC. O foco é instigar a reflexão sobre a identificação de vazios assistenciais, a distribuição regional da oferta de serviços e a articulação interfederativa. Destaca-se a relevância do Comitê Executivo de Governança da Rede (CEGRAS) e de instâncias como CIR e CIB para a pactuação de diretrizes regionais. Os estados são desafiados a identificar problemas prioritários locais — como falhas na regulação ou falta de integração entre serviços — e a planejar ações iniciais para a elaboração do Plano Estadual de Implementação da PNPCC.

No Módulo 3, o documento detalha as responsabilidades da SES na implementação da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-ONCO). O guia aborda a transição do antigo modelo de ressarcimento por produtividade via APAC para novos mecanismos específicos de financiamento e distribuição de medicamentos. Para isso, propõe uma autoavaliação das SES sobre etapas cruciais: organização institucional intersetorial, diagnóstico da rede instalada, estruturação dos fluxos de aquisição e distribuição, autorização prévia (APAC Onco Exclusiva), organização de Centrais de Diluição e monitoramento de indicadores de abastecimento.

Por fim, o Módulo 4 trata da navegação do cuidado, da comunicação e do uso dos sistemas de informação. O objetivo central é garantir que os pacientes recebam orientações claras sobre sua jornada assistencial, evitando que se percam na rede ou assumam o fardo de transportar exames e dados clínicos entre diferentes unidades de saúde. Discute-se como a integração dos sistemas de informação em repositórios estaduais pode viabilizar a navegação transparente, apoiar a continuidade do cuidado e reduzir as barreiras de acesso.

Ao longo de todos os módulos, o guia fornece formulários com itens de verificação que auxiliam as equipes a mapearem “Fortalezas” e “Desafios” em suas realidades territoriais. O intuito final do material é consolidar um ecossistema de saúde integrado e centrado nas necessidades do paciente, garantindo prevenção, diagnóstico oportuno, tratamento efetivo e qualidade de vida aos usuários do SUS.