Exclusivo para atendimento à Covid-19, Hospital Estadual Ricardo Cruz completa três meses com mais de 400 vidas salvas

Para reduzir distanciamento, unidade investe em projetos de humanização e em ações do Núcleo de Acolhimento às Famílias

No leito de CTI, uma paciente com Covid-19 manda beijos, abraços e abençoa a filha. O encontro se dá por meio de uma tela, intermediado por uma psicóloga. Uma conversa que não chega a durar dez minutos, mas é o suficiente para aquecer o coração da família e emocionar a equipe técnica. Cenas como essa, de visitas virtuais com equipamentos de telemedicina, fazem parte da rotina do Hospital Estadual Dr. Ricardo Cruz (HERCruz), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, unidade exclusiva para pacientes com Covid-19 que completou três meses de atividades no último sábado, dia 3.
Com 60 leitos de UTI e 90 de enfermaria, distribuídos por 11.600 metros quadrados de área, o HERCruz contabiliza, até a última quarta-feira (30.06), 791 internações e 412 vidas salvas desde o início de suas atividades. No mês de junho, a taxa de letalidade na unidade foi de 17,96%, número bastante inferior à média de 32% registrada no mesmo período na rede pública estadual.

Em tempos de pandemia, quando a suspensão das visitas foi necessária para reduzir os riscos de transmissão, a política de humanização se transformou em prioridade em todas as unidades hospitalares do estado. No HERCruz não foi diferente e, em meio à implantação de todos os protocolos de atendimento, as diretrizes da Política Nacional da Humanização (PNH) tiveram espaço privilegiado, por meio da promoção de uma série de ações para acolher os pacientes e garantir às famílias o acesso a informações. O hospital não tem emergência aberta e o acesso se dá por meio da Central Estadual de Regulação (CER). Para garantir o suporte necessário aos familiares, os contatos médicos acontecem diariamente, por meio do Núcleo de Acolhimento à Família (NAF), setor cada vez mais atuante.

– É preciso reduzir os impactos do distanciamento, ainda mais num local exclusivo para Covid. O NAF é o lugar das notícias, das melhores às mais difíceis. É o espaço de suporte às famílias, onde elas recebem informações sobre o paciente – explica Daiana Alvarenga, coordenadora do NAF do HERCruz.

Além das visitas virtuais, acompanhadas por profissionais do serviço social e da psicologia, outras ações do NAF têm o objetivo de aproximar pacientes e equipe técnica. Uma delas é o prontuário afetivo, espécie de ficha com dados mais pessoais dos internos, como o time de coração e o nome do animal de estimação, por exemplo, que fica fixado ao lado do leito. Outra é o correio humanizado, que promove a troca de cartas entre pacientes e família. E além das credenciais funcionais, a equipe médica tem uma versão humanizada do crachá, com frases que resumem quem é o funcionário, para que o paciente conheça melhor quem está cuidando dele.

– Ações humanizatórias estão sempre em pauta, com foco no paciente e na família, sem esquecer da importância do colaborador no tratamento. O crachá humanizado, por exemplo, minimiza o impacto da falta de interação pela imagem diante do uso da máscara; o prontuário afetivo possibilita maior interação entre profissionais e pacientes; e nas rodas de conversa estimulamos as práticas de autocuidado – enumera Dilson da Silva Pereira, diretor-geral do hospital.

Hospital se orgulha dos elogios recebidos

– Passei quase uma semana internado, mas hoje estou recuperado e voltei a trabalhar. Muito obrigado por salvarem a minha vida – Marco Aurélio Soares Cordeiro.

Celia Regina Souza, outra ex-interna da unidade, fez um relato emocionado sobre a experiência de passar uma semana na UTI.
“Eu tive passagens por várias unidades e não tinha mais esperança de recuperação. Mas quando cheguei ao HerCruz fui tratada de forma diferenciada e tive atenção e carinho de toda a equipe. Acredito que se não fosse isso eu talvez não estivesse mais por aqui, porque não tinha mais forças. Sou só gratidão”.

Vocação para salvar vidas – O HERCruz foi inaugurado com o objetivo de ampliar o atendimento e a oferta de leitos de Covid-19 num dos momentos críticos da pandemia, desafogando o fluxo de pacientes não só da Baixada Fluminense, mas de todo o estado. Com cerca de 500 funcionários, entre médicos, enfermeiros, maqueiros, administrativos e auxiliares, a unidade tem capacidade para atendimentos de média e alta complexidades e estrutura similar aos hospitais de grande porte do estado, com três módulos ambulatoriais e um administrativo. O hospital só recebe pacientes que passaram previamente pela regulação, com história compatível ou exames positivos para Covid-19, conforme protocolo orientado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Fonte: SES/RJ

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