Resultados de testes de Covid-19 devem ser avaliados com cuidado, alertam especialistas

É preciso saber qual exame pedir e no momento adequado; tema foi discutido durante Debate Virtual

Acima: Boaventura Queiroz, infectologista UFGO; e Luiz Fernando Ramos Ferreira, diretor do Lacen/Maranhão. Abaixo: Alessandro Chagas, Conasems, e Nereu Henrique Mansano, Conass.

Quais são os exames recomendados para diagnosticar Covid-19? Testes rápidos são eficientes para orientar o tratamento a um paciente infectado pelo novo coronavírus? Quais as orientações devem ser dadas para familiares, seja o paciente assintomático ou não? Essa foram algumas das questões abordadas durante o Debate Virtual organizado pelo Conass na sexta feira e disponível no Youtube.

O infectologista Boaventura Queiroz observou, por exemplo, que as ferramentas para traçar um perfil da gravidade do paciente vão muito além do simples exame de diagnóstico. Algumas informações fornecidas por meio da leitura de um hemograma, como níveis de leucócitos ou de plaquetas, são valiosas para avaliar a provável evolução da infecção. Isso vale também para proteína C reativa e as taxas de ferritina. O infectologista ressaltou que alguns exames, como radiografia, podem ajudar a avaliar o estado do paciente em locais onde o acesso à tomografia é mais difícil. Em regiões com essas características, a radiografia seria usada como primeiro passo e a tomografia, indicada para casos mais graves.

Durante o debate, mediado pela consultora técnica do Conass Maria José Evangelista, Queiroz desaconselhou o uso de testes rápidos como um instrumento para nortear o tratamento ao paciente. Isto se deve, primeiramente, ao fato de que não existe ainda um tratamento específico para Covid 19. Outro motivo é que os testes rápidos detectam anticorpos e estes não são encontrados no início da doença. Eles só são encontrados a partir do 8º dia a partir do início dos sintomas e nesse momento a carga viral já é baixa ou inexistente. O infectologista destacou que o exame preferencial para os primeiros dias da doença é o RTPCR, que detecta a presença do vírus e deve ser realizado de preferência do 3º ao 7º dia a partir do início dos sintomas.

Maria José Evangelista e Fernando Avendanho, Conass

O assessor técnico do Conass, Nereu Henrique Mansano,  tem avaliação semelhante. Assim como Queiroz, Mansano alertou para a necessidade de olhar com cuidado para resultados de testes rápidos. A imensa maioria dos exames usados no País, afirma ainda, inclusive os distribuídos pelo Ministério, não diferenciam infecções mais recentes daquelas mais tardias. Isso traz um risco considerável de o paciente com sintomas realizar o teste e o resultado indicar, erroneamente, negativo para Covid-19. “Isso ocorre porque ainda não houve tempo para o paciente desenvolver os anticorpos contra o SARS Cov 2. O fato de o teste rápido dar negativo antes do oitavo dia do aparecimento dos primeiros sintomas não quer dizer nada”, completou.

O  diretor do Lacen e secretário geral do Conselho Regional de Farmácia do Maranhão, Luiz Fernando Ramos Ferreira, reforçou a recomendação de cuidado na avaliação dos resultados dos testes. “É preciso saber qual exame pedir e em que momento. Isso faz uma diferença muito grande para dar o diagnóstico”, observou. Os cuidados são necessários mesmo em exames considerados mais sensíveis, como o que identifica fragmentos de material genético do vírus em amostras coletadas do paciente, com uma espécie de cotonete de tamanho grande, chamado swab. Ramos Ferreira conta que se pouco material é coletado do nariz do paciente, se o exame foi feito de forma precoce ou muito tardia, há risco de ele ter resultado que não reflete a realidade. “É importante que ele seja feito entre o 3 e o 6 dia, com a técnica de coleta adequada”, disse.

Participaram também do debate o assessor técnico do Conasems, Alessandro Chagas e o assessor técnico do Conass, Fernando Avendanho.

 

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