Médico Sanitarista reforça papel da atenção primária na contenção da pandemia

“Mesmo após a vacina a estimativa é que a pandemia se transforme em endemia, com surtos em bairros, famílias, fábricas. Precisamos antecipar esses surtos desde agora. Com a atenção primária e a vigilância evitaremos que surtos se transformem novamente em contaminação comunitária”, afirmou o médico sanitarista e professor titular da Universidade de Campinas, Gastão Wagner de Souza, durante a aula inaugural de formação de apoiadores técnicos do Projeto de Apoio Integrado AB-VS: Enfrentamento da Covid-19 no Estado do Rio Grande do Norte, realizada nesta quarta-feira (26).

A aula, realizada em ambiente virtual, aberta ao público, foi ministrada para 20 profissionais que atuarão nos municípios com o papel de integrar a vigilância em saúde e a atenção primária no enfrentamento à Covid-19, e contou com a participação do secretário estadual de saúde prof. Dr. Cipriano Maia, como palestrante, e da subsecretária de planejamento e gestão da Sesap prof. Dra. Maura Sobreira, como mediadora. Também participaram membros do Conselho Estadual de Saúde do RN, Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/RN) e Ministério Público Estadual.

O projeto de apoio integrado, que adota a metodologia de suporte institucional nos territórios, será focado na pandemia da covid-19, mas promoverá um ganho permanente. “Ele vem se somar a iniciativas estratégicas que vínhamos trabalhando no Estado, e na sequência virá um projeto de fortalecimento das equipes regionais do âmbito do Estado, fortalecendo a regionalização, ou seja, apesar do foco na covid-19, o projeto trará ganhos para desenvolvimento das equipes regionais, ficando como legado da pandemia”, disse o secretário Cipriano Maia.

Prova disso é a atuação do Governo do Rio Grande do Norte que fez opção pelos leitos dos hospitais e não hospitais de campanha, para reforçar o Sistema Único de Saúde para oferecer de qualidade e eficiência a longo tempo.

“É um momento importante no qual estamos coordenando a retomada de atividades assistenciais e dando continuidade à gestão da pandemia no estado e esperamos que o projeto possa diminuir a propagação da doença e o surgimento de novos surtos. A metodologia é, primeiro escutar as demandas e prioridades, e fazer ofertas a partir do saber, da capacidade do conhecimento e das diretrizes da gestão”, explicou o secretário.

Para o professor Gastão, a integração entre a vigilância epidemiológica e a atenção primaria é uma tarefa que transpõe a pandemia. “Mais do que melhorar a informação e ter uma ação mais orientada a vigilância epidemiológica tem a função de além de analisar dados, agir, intervir na realidade, de prevenir surtos”, reforça.

Ainda de acordo com ele, os apoiadores institucionais estarão integrados nos locais de atuação. “A ideia é ter representantes da gestão que irão lá fazer junto, conhecendo a dificuldade concreta de cada local. A dinâmica do apoiador é diferente da postura do gestor tradicional, é mais pedagógica, de negociação, é uma visão construtivista”, completou.

Além da aula e encontros que estão sendo programados, os apoiadores técnicos contarão com os sete planos emergenciais para prevenção e enfrentamento da Covid-19, desenvolvidos pela Sesap, voltados para as populações em situações de vulnerabilidade, como quilombolas, LGBTs, indígenas, assim como o caderno de atenção primária voltado para o enfrentamento da pandemia, que funcionarão como instrumentos de orientação ao trabalho.

Texto: Sesap/Assecom

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