O segundo dia da II Mostra de Experiências Exitosas da Gestão Estadual do SUS para Recuperação das Coberturas Vacinais reafirmou o compromisso dos estados em reverter a queda nos índices de imunização por meio de estratégias de governança, articulação intersetorial e comunicação pública assertiva.O evento ocorreu desde ontem (16), em Brasília, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

As mesas temáticas foram palco de debates fundamentais sobre como a gestão inovadora pode transformar o cenário da vacinação no País e mostraram como a integração entre diferentes setores contribui para ampliar o acesso à vacinação.
Ações para facilitar o acesso às vacinas
O primeiro debate do dia contemplou as iniciativas do Espírito Santo, Paraná, Amazonas, Mato Grosso e Alagoas em ações que facilitaram o acesso à imunização.
Em Alagoas, o projeto Vacina+, voltado à recuperação das coberturas vacinais de crianças menores de dois anos, promoveu a articulação entre estado, municípios e o Programa Nacional de Imunizações, por meio de estudo situacional, censo vacinal e busca ativa de crianças com esquemas incompletos. A experiência resultou na análise de mais de 31 mil cartões de vacinação e na regularização da situação vacinal de milhares de crianças, fortalecendo a integração entre vigilância em saúde e atenção primária.
Representando a Região Norte, o Amazonas apresentou a experiência construída para enfrentar os desafios logísticos da vacinação em municípios de difícil acesso no sul e sudeste do estado a partir de uma cooperação interfederativa entre Ministério da Saúde, estados e municípios para garantir o abastecimento regular de imunobiológicos. Com a reorganização das rotas de distribuição, os municípios passaram a contar com retiradas mensais de vacinas, reduzindo o risco de desabastecimento e contribuindo para o aumento das coberturas vacinais.
A integração entre saúde e educação foi o destaque das experiências do Espírito Santo, onde a ampliação da cobertura vacinal contra o HPV ocorreu por meio de ações intersetoriais voltadas à ampliação da vacinação de adolescentes. A iniciativa consolidou uma rede de trabalho conjunta entre escolas e serviços de saúde.
E também no Paraná, com a estratégia Vacinação na Escola, desenvolvida em parceria entre as áreas de saúde e educação. A ação fortaleceu a verificação da situação vacinal de estudantes, promoveu ações de vacinação em ambiente escolar e contribuiu para a retomada de altas coberturas vacinais no estado, com destaque para os avanços na imunização contra o HPV.
Já Mato Grosso apresentou o programa Imuniza Mais MT, que combina governança colaborativa, microplanejamento, incentivos financeiros e ampliação do acesso à vacinação em áreas remotas. Entre os resultados destacados estão a capacitação de profissionais, o fortalecimento da infraestrutura dos serviços de imunização e o uso de unidades móveis para levar vacinas a populações vulneráveis, contribuindo para a recuperação das coberturas vacinais em todo o estado.
Comunicação Pública e Combate à Desinformação
O combate à desinformação e a recuperação da confiança da população nos imunizantes foram temas centrais nas discussões sobre comunicação pública, tema do terceiro eixo da Mostra. O debate reforçou que o combate à desinformação não se faz apenas com informação técnica, mas com a construção de vínculos de credibilidade com a sociedade.

As experiências apresentadas demonstraram que a recuperação das coberturas vacinais depende da capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de reconquistar a confiança da população por meio de uma comunicação transparente, estratégica e baseada em evidências.
O Ceará destacou o papel estratégico da assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde na desconstrução de mitos, utilizando campanhas que alinham evidências científicas a uma linguagem acessível para neutralizar narrativas negacionistas.
Em uma abordagem inovadora, o Distrito Federal (DF) apresentou o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos, que transformou a farmacovigilância em um instrumento ativo de construção de confiança. Ao comunicar de forma oportuna e transparente a segurança das vacinas e o acompanhamento dos eventos adversos, o DF fortaleceu o SUS como uma fonte de segurança para o cidadão.
Minas Gerais compartilhou a implementação do “Selo Bora Vacinar”, um mecanismo de indução positiva e certificação estadual que visa estimular gestores municipais e valorizar boas práticas de vacinação infantil em um cenário pós-pandemia.
Já o estado de São Paulo apresentou a sua experiência de mobilização social na prevenção da Febre Amarela, demonstrando que estratégias integradas de comunicação, ao serem direcionadas a áreas de risco confirmadas, geram um aumento significativo na busca voluntária da população pelas unidades de saúde.
Sistemas de Informação e Integração de Dados
Encerrando o ciclo de debates, foram apresentadas as experiências voltadas ao quarto eixo da Mostra: sistemas de informação e integração de dados.

As iniciativas demonstraram que a tecnologia é uma aliada essencial para a gestão qualificada e a tomada de decisão no SUS e que a eficiência da vacinação no Brasil passa também pela transformação digital e pela interoperabilidade entre sistemas.
O estado de Goiás apresentou a plataforma “Imuniza Goiás”, uma ferramenta de inovação que centraliza o monitoramento dos dados vacinais, permitindo uma visão estratégica e em tempo real dos indicadores.
Pernambuco detalhou a implementação da “Rede Imuniza PE”, sistema que organizou o fluxo de solicitação e distribuição de imunobiológicos especiais. Ao integrar as etapas, desde a solicitação municipal até a autorização técnica e logística, o estado reduziu o tempo de espera, eliminou gargalos burocráticos e trouxe mais equidade no acesso para pessoas com condições clínicas especiais.
No Paraná, a tecnologia também se mostrou fundamental para a superação de desafios de conectividade e integração com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O estado apresentou sua trajetória na integração obrigatória com a RNDS, e relatou como superou o cenário inicial de fragmentação de sistemas para consolidar um modelo de interoperabilidade que garante dados acessíveis ao cidadão via “Meu SUS Digital”.
Reforçando a agenda de integração, São Paulo compartilhou sua experiência de apoio técnico aos municípios paulistas, atuando diretamente na capacitação das equipes de gestão e de Tecnologia da Informação (TI) para qualificar o envio de registros, tratando o dado vacinal não como um simples preenchimento de sistema, mas como um produto estratégico para a saúde pública.
A utilização de sistemas de informação para cruzar informações de matrícula escolar com as situações vacinais dos estudantes foi apresentada pelo Rio Grande do Sul. Lá, o projeto transformou o ambiente escolar em um braço da vigilância ativa.
A II Mostra de Experiências Exitosas da Gestão Estadual do SUS para a Recuperação das Coberturas Vacinais reforçou que a recuperação das coberturas vacinais é um esforço coletivo que exige soluções criativas, parcerias sólidas entre entes federativos e, acima de tudo, o fortalecimento da confiança da sociedade no Sistema Único de Saúde.
Nereu Henrique Mansano, assessor técnico do Conass e coordenador da Mostra, enfatizou que o evento corroborou a criatividade e a capacidade técnica das Secretarias Estaduais de Saúde na recuperação das coberturas em todo o País. “Espero que as excelentes experiências apresentadas inspirem novas ações e fortaleçam cada vez mais o PNI e o SUS”, concluiu.
Ao todo 109 experiências foram selecionadas. Acesse aqui aquelas selecionadas para exposição em pôster.
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Assessoria de Comunicação do Conass