Semana da enfermagem: rotina de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem durante a pandemia da Covid-19

O amor pela profissão e o orgulho em salvar vidas unem profissionais que estão trabalhando na linha de frente da pandemia 

 A rotina intensa de trabalho, o medo de uma doença nova, o afastamento dos familiares, as perdas: muitos são os sentimentos que os profissionais da saúde sentiram neste último ano. Encontrar elogios suficientes para agradecer por todo o esforço que cada um deles fez para salvar vidas neste momento seria uma missão impossível. Na Semana da Enfermagem, vamos contar as histórias de alguns desses trabalhadores em agradecimento por toda a dedicação e o cuidado com os pacientes que precisaram das unidades da rede estadual de saúde.

Às 6h, a enfermeira Lilian da Cunha Tavares, 40 anos, sai de sua casa no bairro Colubandê, em São Gonçalo, em direção ao Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em Niterói. A chefe de enfermagem do CTI 4 do HEAT deixa em casa dois filhos, um deles com apenas um ano e cinco meses, nascido durante a pandemia. Leva com ela, no entanto, a certeza de que será mais um dia ajudando a salvar vidas. A rotina de Lilian, que já foi auxiliar e técnica de enfermagem, poderia ser a de tantos outros profissionais de enfermagem que estão lutando na linha de frente contra a Covid-19 desde o início.

– Trabalhar com Covid-19 não é fácil! No início, as equipes não entendiam muito bem o que estava acontecendo, o medo da doença era grande. Precisávamos abrir mão de muita coisa e redobrar o cuidado com nossos familiares. Trabalhamos muito, e muitas vezes não conseguimos estar com eles. Mas encaramos tudo isso de frente, buscando sempre ajudar nossos pacientes e nos dedicando muito no enfrentamento à Covid – afirmou Lilian, há 12 anos atuando na área da enfermagem.

Como Lilian, o técnico de enfermagem Everton Mendes Fernandes, 43 anos, também deixa todos os dias a família em casa para se dedicar ao trabalho. Na área da saúde há nove anos, o profissional atua no centro de Trauma do Hospital Alberto Torres, que recebe mensalmente cerca de 360 vítimas de politraumatismo.

– Eu me formei técnico de enfermagem há seis anos. Trabalhar na saúde é a possibilidade que tenho de ajudar as pessoas. Fazer a diferença na vida delas. Já chegamos a atender nove baleados em um único final de semana no centro de trauma. É muito cansativo. Mas ver a pessoa estabilizada é extremamente gratificante – ressalta Everton, que antes de ser técnico de enfermagem trabalhava como condutor de ambulância do SAMU.

Atuar na área da saúde durante a pandemia foi árduo para aqueles que viram pacientes, amigos e colegas de profissão morrerem de Covid-19. Mas foi ainda mais difícil para os que, além disso tudo, também perderam familiares para a doença.

– Nós trabalhamos com o bom combate. Demos toda assistência para os nossos pacientes, agimos com muita empatia e batalhamos muito. Foi muito sofrimento, mas também vimos muitos pacientes serem curados. Eu abri mão de muita coisa e perdi meu pai para a Covid. Foi muito difícil superar isso e voltar a trabalhar. Mas essa é a minha profissão, é a profissão que eu amo. Eu escolhi estar aqui – contou emocionada a enfermeira Keitty Jamile Mota Figueiredo, 35 anos, há cinco na profissão.

A técnica de enfermagem Elaine Lopes de Oliveira, 37 anos, conta que chegou a ficar dois meses sem ver a filha de quatro anos.

– Neste período de pandemia foi muito tenso. Tivemos que aprender a lidar com essa situação toda. Eu tive que deixar minha filha de quatro anos em casa, com minha mãe e tia idosas, sem poder voltar para casa para não colocá-las em exposição. Mas elas não tiveram nada e já conseguiram se vacinar. Graças a Deus deu tudo certo.

Mas há também alegrias nessas histórias. A união, a empatia, o amor, a dedicação foram ferramentas cruciais para que os profissionais da saúde salvassem inúmeras vidas. Cada alta foi uma vitória comemorada.

– Este ano tem sido bem complicado, mas, graças a todos os profissionais da saúde, estamos conseguindo lidar com a Covid-19. Nossa jornada de trabalho tem sido extremamente extensiva. Passamos por algo que acredito que nunca ninguém imaginou passar. Mas estamos salvando vidas.  E cada vida que salvamos nos dá uma satisfação imensa. Não tem sido fácil trabalhar nesta profissão, mas é gratificante ver as altas que temos conseguido acompanhar – resumiu Antônio Vasconcelos de Oliveira, 39 anos, enfermeiro há 15 anos.

Texto e Foto: SES/RJ

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